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Sunday, July 19 A new area in the back.

Depois de mais de quatro anos, finalmente. Levou tempo, mas fizemos quase tudo sozinhos. Valeu a pena o esforço e todas as lascas de madeira nos meus dedos.


Procurei fotos do "antes", sem sucesso. Essa pequena área atrás da casa nunca foi um lugar que eu quisesse fotografar. Antes da reforma o chão era irregular e estava coberto de folhas mortas e musgo. A área coberta era um depositório de entulho e eu praticamente só abria a porta externa da cozinha duas vezes por semana: uma para pôr o lixo para fora e outra para colocar a lixeira vazia para dentro.

Agora eu só consigo tomar o primeiro café do dia sentada nesse piso de madeira curtindo o solzinho da manhã.



O entulho da obra vai ser removido essa semana:



O velho portão também está sendo refeito no momento.



Esse "armário" está aí porque precisávamos cobrir o boiler; estendemos a cobertura para guardar produtos de limpeza, ferramentas de jardinagem e etcétera.


E, já que as ferramentas vão estar ali mesmo, resolvi pôr um contâiner para coletar água da chuva e usá-la para regar as plantas que fatalmente vão colorir esse espaço. Já começamos:





Gypsophila. Sem palavras para expressar o meu amor por essas flores minúsculas e delicadas.






Esse Flickr delicioso, todo em tons pastéis e coisas belas.

Esse artigo comparando a beleza de atrizes de Hollywood com a de suas não menos belas mães; a genética é uma coisa realmente impressionante.

As roupas dessa loja coreana(o site é uma graça, também).

Essa loja no Etsy; o que são as cores dessas jóias? Tive vontade de comê-las.

Menos comestível o conceito (filosófico e nada gótico, apesar do visual) por trás destas jóias da Dior: "esculpidas em forma de crânios a fim de lembrar a efemeridade da vida; somos temporários, enquanto as jóias que usamos poderão atravessar séculos". Profundo. :)

Esse anúncio de "massageador" dos anos 60; "vibrante" seria uma boa palavra para descrever as propriedades do produto.

Esse vídeo, uma análise sensível e muito bonita sobre o valor do Michael Jackson para seus fãs e o mundo (concorde você ou não).

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Tuesday, July 14 apenas mais uma segunda.





















Manic Monday, Bangles.

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Sunday, July 12 Fatos e fotos.

Porque a solução para todo casamento falido é SABÃO, minha gente.


"Um homem se casa com uma mulher porque a ama. Então, ao invés de culpá-lo se o amor começa a esfriar, ela deve se questionar. Ela está realmente tentando manter o casal feliz? Uma das formas mais eficazes de proteger seus encantos femininas é fazer sua higiene através de duchas vaginais com Lysol!"

Daqui. Maravilhoso, né? Mais maravilhoso ainda é saber que a obrigação de manter um casamento feliz não devia ser 100% nossa, que os homens devem "se questionar" também e que, veja só que inacreditável, ELES TAMBÉM FEDEM.



Esse post acabou me levando a outro. Não é de hoje que recebo comentários aqui ou no Flickr e emails de pessoas (a maioria bem intencionada, sem dúvida) querendo saber se o Respectivo não se irrita ou entedia com a minha aparente obsessão por tirar fotos de tudo/ mais especificamente comida. Acho engraçado. E hoje resolvi perguntar ao próprio. A resposta foi um "-Q". Algo como: "como assim me irritar porque você está tirando uma foto?".

Precisamente. É mais ou menos isso o que eu penso a cada vez que me fazem essa pergunta.

Dado importante: entre todas as pessoas que demonstraram curiosidade sobre o assunto, 100% eram mulheres brasileiras. Mesmo na única vez em que a pergunta foi feita em inglês. E o alvo da preocupação era sempre o mesmo: "o que o SEU MARIDO acha disso tudo?".

É público e notório que eu, como feminista, sou um fracasso (e nem tento passar impressão contrária). Mas acho a pergunta sintomática da sociedade em que nós, brasileiras, fomos criadas. É mais ou menos como se o meu marido fosse uma espécie de feitor e eu precisasse ter em mente a preocupação de agradá-lo sempre, a fim de evitar uma chibatada. A inconveniência que seria deixar de fazer a foto para não aborrecê-lo sendo vista como natural e menor, porque seria minha.

Achei válido dar uma iluminada na questão: para começar, não sou assim tão cheia de preciosismos na hora de fotografar; se fosse, certamente seria uma fotógrafa melhor. Levo cerca de três segundos para fazer uma foto (mais se a luz estiver ruim e eu não estiver conseguindo focar; mas já aprendi as manhas da Canon e não demoro). Não é como se eu precisasse tirar o homem da mesa, montar refletores em volta dela e alinhar os garçons ao fundo. Basicamente, quando ele finalmente termina de estender o guardanapo no colo, eu já fiz a foto e estou com a primeira garfada na boca. A comida não esfria, ninguém fica salivando enquanto o prato é fotografado e, no fim, eu tenho uma foto legal pra mostrar aqui. E, no caso de alguém ainda não ter percebido (devido aos meus textos prolixos), Esse É Um Blog De Fotos.

Vale lembrar também que esse site não documenta minha vida integralmente. Não espere encontrar aqui cada passo meu traduzido em pixels; para cada foto de almoço que você vê, muitos outros almoços, jantares e cafés da manhã passaram por mim sem registro (até me arrependo, but that's how it is).

No fundo acho que somente aficcionados por fotografia entendem essa necessidade de andar sempre com uma câmera na mão. Para os outros, é apenas uma obsessão idiota. E eu respeito, já que somos todos diferentes e temos nossos parâmetros individuais que definem o que é ou não "normal".

Eu, pessoalmente, acho normalíssimo levar uma câmera para um show de música, mas já não entendo quem passa o show inteiro fotografando freneticamente, sem dançar, sem cantar, sem efetivamente viver o momento. Ou os viciados em "foto de balada", com todo mundo fazendo bico de bochecha colada (note que esse tipo de foto é sempre a mesma coisa e até as pessoas e lugares se parecem), ao invés de fazer o que comumente se faz em baladas: suar na pista de dança, encher a corrente sanguínea de álcool, pegar geral e vomitar na calçada. Mas quem sou eu pra ditar regras para o prazer alheio? Cada um se diverte como quer.

No meu reader há vários blogs estrangeiros parecidos. Lembro quando há uns 2, 3 anos atrás eu lia blogs gringos de moças bem vestidas como a Cherry Blossom Girl, Only Shallow e Black Apple, e hoje em dia a idéia de "fotografar o que se está vestindo" já foi devidamente adaptada para o Brasil. Os de "fotografia do dia-a-dia" (como o Simply Photo, Notes by Naive, My Funny Eye, Lobster and Swan, 3191 e tantos outros) ainda são poucos no Brasil; se você conhece algum blog brasileiro nesses moldes, por favor indique.

(fato: se você não consegue ver nada de interessante numa sessão de fotos que mostra obras numa estação de metrô e as notas escritas na parede pelos operários, procure algo mais objetivo para acompanhar)

Enfim, longo papo que poderia ser esticado e incluir mais uma tese sobre as diferenças entre sociedades patriarcais e outras onde a liberação feminina chegou mais longe; mas vou me abster, já que isso sempre acaba em homens brasileiros me xingando anonimamente e, sem perceber, confirmando a teoria. O que importa: sintonia entre o casal. Se o seu marido/namorado/amigo colorido/ficante acha válido reclamar de coisas simples, inofensivas porém prazerosas, aconselho se perguntar se vale a pena manter um relacionamento com alguém que claramente tem tão pouco a ver com você. Ninguém merece passar a vida tendo seus pequenos prazeres limitados pela implicância de um chato.

O fato de o meu marido não reclamar é uma das razões pela qual ele é o meu marido.
Se ele reclamasse, seria marido de outra.

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Wednesday, July 8 Lugares para sonhar











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"Enterrando" o assunto.

Ontem levei alguns foras e alfinetadas no Twitter por conta de alguns comentários sobre o funeral-show do Michael Jackson. Que alguns fãs na minha lista consideraram "insensíveis" e "fora de hora". Eu poderia ter respondido que insensível e fora de hora foi o decote da ex-cantora (que voz, ou melhor, falta de voz foi aquela?) Mariah Carey em um velório de corpo presente, mas calei-me.

Em primeiro lugar, me desculpo com quem tenha se ofendido com as minhas observações de que Prince Michael mascava chicletes que pareciam ser de Mogadon, dada a expressão de sono e tédio na cara do menino (depois do discurso da Brooke Shields, eu acho que entendo). E de que a interpretação de "Smile" por Jermaine Jackson ficou meio aquém do esperado; ele saiu do tom algumas vezes e, como essa música é muito significativa para mim, fiquei desapontada (mas ok, vou creditar à emoção do momento). E de que não curti ver todos os irmãos usando aquela luvinha de prata; pode ter sido encarado como singela homenagem familiar para muitos, para mim pareceu uma usurpação cafona de um objeto icônico (luvas de paetê prateadas sendo vendidas nos camelôs da Rua da Alfândega em 3, 2, 1...).

Cada um percebe as coisas de formas diferentes e desculpaí se a minha percepção foi meio atípica e dissonante da maioria. Juro que não fiz para desrespeitar a memória do falecido. Cuja carreira, aliás, eu acompanho há bem mais tempo do que muitos adolescentes que estavam ali se debulhando em lágrimas ensaiadas e patrulhando opiniões alheias.


Ponto alto mesmo? Um Stevie Wonder emocionado cantando (e atente para o título) "Never Dreamed You'd Leave in Summer".

"I never dreamed you'd leave in summer
I thought you would go then come back home
I thought the cold would leave by summer
But my quiet nights will be spent alone"

Quase capotei.

Ontem também finalmente abundaram comentários do tipo "já vai tarde, pedófilo", tanto no Twitter como em blogs de pessoas que eu admirava pela inteligência e por não se bandearem facilmente para as trincheiras do politicamente correto. Eu procuro não descartar pessoas apenas por terem idéias diferentes das minhas, mas a verdade é que não tenho interesse em conviver (ainda que virtualmente) com quem se aproveita da desgraça alheia para subir num palquinho e proferir julgamentos que só servem para fazê-los se sentir moralmente superiores. Esse é o tipo de pessoa que, em qualquer polêmica, sempre se mantém no lado "seguro" do senso comum e coletivo. OK, alguém importante disse que Michael apalpa criancinhas; então deve ser verdade e vamos queimá-lo na fogueira dos pedófilos. E depois ir tomar um suco de laranja e nos auto-congratular por sermos tão justos e estarmos do lado do bem.

Sendo que, nesse caso, o "lado do bem" são pais que acham absolutamente natural receber uma quantia obscena de dinheiro para "esquecer" que um monstro teria violado seu filho. Eu sinceramente não conheço pais que aceitariam fazer essa troca. Não conheço pais que desistiriam tão facilmente de buscar justiça para seus filhos, que abdicariam do dever de pôr um pedófilo praticante na cadeia, que deixariam à solta um homem que enche sua casa de crianças para em seguida abusar delas. Não acredito em pais que, sofrendo o trauma de ter um filho abusado sexualmente, não se importariam em ver a história se repetir com outras crianças. Para mim não faz sentido.

A menos que esses pais também não acreditassem na história que estavam contando. Aí faz todo o sentido do mundo se aproveitar de alguém com um histórico repleto de comportamentos bizarros, sexualidade dúbia e traumas de infância. Um alvo tentador demais. Chutar um cachorro morto até que os golpes exibissem entranhas feitas de ouro. Como não se aproveitar disso?? Já que você PERMITIU e incentivou que seu filho pernoitasse na companhia de um homem notoriamente desequilibrado porém milionário, por que não descer mais um degrauzinho só na escadaria moral e faturar milhões o bastante para lavar a sua reputação com água sanitária e champanhe Cristal, enquanto a do acusado chafurda na lama? Nada mais justo. Quem mandou ser rico, ingênuo e descuidado? Quem mandou não contar com a ganância alheia? Quem mandou não ter tido infância e tentar recuperá-la depois de adulto fazendo festas do pijama com pré-adolescentes?? Ele que se dane.

A única verdade na qual acredito: sem provas não há como sustentar uma acusação. Com provas, a américa puritana jamais deixaria um pedófilo à solta, independente do sobrenome que tivesse. Eu não estava naquele quarto, nem você. Não me incluo entre as pessoas que podem afirmar com certeza o que aconteceu e não acho sensato julgar e condenar. O que eu acho sensato? O benefício da dúvida. Nem pôr as mãos na fogueira pelo acusado, nem usá-las para empurrá-lo nela. Ontem, por exemplo, usei as minhas para comer pipoca enquanto assistia ao funeral. Aposto que alguém deve ter achado desrespeitoso também, mas a minha infância se traduz em assistir vídeos do Michael Jackson comendo pipoca. Eu estava me despedindo das duas coisas; o músico e parte da infância (a pipoca continua, grata).

"This is it". As cortinas desceram, fim de uma era e a polêmica já é last season, baby. O que ele fez ou deixou de fazer foi enterrado (ou cremado, empalhado, etc) com ele. Menos a Música. Porque essa, nós sabemos, está acima e independe de qualquer outra coisa.


rest (finally) in peace, Captain EO.
thanks for everything.

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Tuesday, July 7 Quatro.

Então, ontem fizemos 4 (!) anos de casados - bodas de flores, frutas ou cera; eles podiam se decidir em apenas um, não? - e fomos comemorar de forma eclética: champanhe e batata frita. :)

Escolhemos Longueville Manor (construída como uma residência no século 14, hoje em dia um hotel e restaurante) aqui em Jersey; o lugar é realmente lindo (vista, lago e cisnes negros incluídos no almoço):








Infelizmente eles não tinham batata frita no menu de almoço metido a besta (porém muito gostoso), mas resolvi o problema à noite no pub. Porque celebração britânica sem pub não é celebração.

É evidente que topei com um bichano simpático em Longueville (ou eu atraio essas coisas adoráveis, ou então eles estão mesmo por toda a parte): quase levei para casa como presente de aniversário de casamento, mas já estou tendo problemas de convivência demais com as duas felinas que temos por aqui.


E, por falar nelas, quando requisitada a posar para minhas lentes, Maluca sempre apresenta o que considera o seu melhor ângulo:


Concordar com ela não é necessário. ;)

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Thursday, July 2 Verão, pub e flores.

Julho significa que o verão está aí e, pelo menos nesse lado do hemisfério, significa também que é preciso virar escravo do seu jardim, caso você pretenda vê-lo bonito. Eu adoro flores, mas acredito que um jardim consome mais tempo, dinheiro e exige mais cuidados do que um bebê.

Eu nem vou entrar em detalhes e mostrar listas do que precisa ser feito, das flores que precisam ser regadas duas vezes por dia, das que precisam ser transplantadas para lugares mais apropriados, das que precisam ter galhos removidos para serem propagadas, das sementes que precisam ser mantidas em incubadoras, das plantas que precisam ser "nutridas" semanalmente, etc. Até porque não sou hipócrita e confesso: faço praticamente nada disso. Várias plantas morreram na semana passada por causa de um ÚNICO dia de calor onde eu não estava em casa e não pude regá-las. Esse tipo de planta mimada, mal acostumada e fresca eu já risquei da lista; não compro nunca mais. Tá pensando o quê? Tem dias que NEM EU como duas vezes por dia, minha filha.

Doravante só plantarei margaridas e gerânios; esses nunca desapontam e toleram vários dias sem água.

Aí embaixo uma foto do jardim da casa onde passei a infância. Uma mamãe gordinha (e que conversava com plantas) exibe orgulhosa o jardim e sinceramente só me lembro de vê-la regando as plantas depois de uma semana inteira de sol muito forte. Do contrário, elas resistiam bravamente a períodos de seca.


E, quando os seus esforços no jardim não dão resultado (e você começa a considerar seriamente a hipótese de plantar CACTOS no próximo verão), onde é que você vai chorar suas mágoas?

Dentro de um copo de cider no pub mais próximo, é claro.



Essa cidra é feita de pêra, leve e deliciosa. Virou o drink preferido do verão.








Aí você dobra a esquina, se depara com uma obra de arte dessa magnitude e se sente a pior jardineira do universo (com razão e merecimento):



Eu jamais terei um jardim assim.



"Save the planet: drink more tea, make more love". Concordamos plenamente!

Essa caneca da Artbox (comprei na TopShop) me deu uma certa dor de cabeça. A etiqueta adesiva com o preço ficava no fundo da caneca, e embaixo dela havia um pedaço de metal que funcionava como "dispositivo de segurança". É claro que o vendedor se esqueceu de retirá-la e eu, sem saber, fiz TODAS as portas de loja que entrei depois da TopShop apitarem como se eu estivesse saindo sem pagar.

Haja paciência para aturar o décimo segurança polonês do dia revistando minha bolsa, não encontrando nada suspeito e dando de ombros, meio sem graça: "vai ver que o sistema de segurança está com defeito". Levei algum tempo para diagnosticar o problema e me livrar da etiqueta imbecil. Mas os micos valeram a pena, porque a caneca é uma graça, não? Essas aí embaixo também são da Artbox, também são lindas e correm sério risco de vir morar comigo em breve (imagina tomar chocolate quente nessa caneca? Aw):


(mas dessa vez eu vou tirar a etiqueta de preço ANTES de sair da loja)

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Tuesday, June 30 Aleatórias da semana.

Fiz um bolo que tinha tudo pra ficar lindo (bati claras em neve e tudo, vejam só) e ele SOLOU amargamente. Não por culpa minha e sim do forno, que está desregulado. Comecei a assar e só levou cinco minutos para que a crosta ficasse marrom bombom com manchas pretas na superfície e o resto da massa completamente crua. Tirei às pressas do meu forno precário e o transportei para o da sogra, cruzando o quintal segurando a fôrma com luvas de cozinha (eu JURO que só faltaram os bobs na cabeça para virar o arquétipo da Amélia... vexatório). O bolo terminou de assar, mas não ficou tão fofinho como eu esperava. Resolvi o problema fazendo uns furos com garfo e despejando em cima uma mistura de leite, açúcar e essência de baunilha. Está comível e come-lo-ei com chá.

E, por falar em chá, como você prefere o seu? Forte, fraco? Com ou sem leite? Limão? Uma ou duas colheres de açúcar, ou açúcar nenhum? Biscoitinho? :)





Essa xícara é uma gracinha e encontrei por £4 na BHS. Já as colherinhas de prata (super oxidadas; preciso limpar) eu encontrei no fundo de uma caixa de papelão cheia de tralhas aqui em casa mesmo. Ah, as surpresas das "vidas passadas" do Respectivo. Nem ele sabe de onde são essas colheres. Excelente: assim não preciso devolver caso não pertençam à família. :)

Minha mãe pergunta ao telefone se Michael Jackson era brasileiro, "porque ele era preto". Eu não soube por onde começar e nem se deveria. E depois cerumanos SE ofendem e me xingam nos comentários quando digo que mamãe é master em formular perguntas genialmente imbecis. Nada mais que a verdade, minha gente. Além de uma qualidade a ser admirada. :)

Como vocês devem ter notado (ou não...) a lista de arquivos está crescendo. Estou, aos poucos, incluindo arquivos de blogs antigos aqui. Se alguém resolver linkar esse blog, não recomendo que usem o endereço do blogspot, já que ele provavelmente vai mudar quando eu terminar de organizar os arquivos. E, por falar neles, estou tendo que ler algumas coisas do passado que me fazem ter vontade de enfiar o dedo na goela e regurgitar o intestino. Vergonha. Não adianta tentar; eu não consigo escrever NADA meigo e poético. Se tentar, sai piegas, forçado, ridículo. Talvez porque seja falso; eu não sou uma pessoa sentimental. Daí a dificuldade de escrever cartões de aniversário, parabenizar ou consolar pessoas e manter um blog supostamente adulto.



As coloridíssimas fitas adesivas japonesas feitas de papel hashi. Viraram febre entre as blogueiras artesãs e eu, que piro fácil em qualquer artigo de papelaria diferente e colorido, também quero; só não comprei ainda porque, bem, ainda é surpresa. ;) (mais variedade na loja japonesa)

Arruine a dieta daquela sua amiga sofisticada e fashion victim: dê a ela cupcakes Chanel de presente! (a Maison não tem nada a ver com isso e nem deve ter gostado; afinal, moças que comem cupcakes não vão caber nos terninhos tamanho -1 da loja)

Essas fotos lindas de um autêntico mercadinho de velharias francês. Daria o dedo mindinho para estar lá e comprar esse jogo de porta mantimentos quadriculado vermelho e o boneco do elefante Babar.

Descubra por que vampiros não podem usar maquiagem (do ótimo See Mike Draw)

Esse comentário sobre um post no Fuck My Life. Triste mas verdadeiro.

Sabe aquelas padronagens na parte de dentro de envelopes contendo saldos bancários, contas de luz, etc, que a gente encontra e descarta sem nem olhar? Esse set no Flickr mostra como eles podem ser artísticos e lindos. (nunca mais vou olhar para um envelope comercial do mesmo jeito)

A voz aveludada de um Michael Jackson ainda adolescente cantando "Happy". Linda música, porém quase irônica ao ser interpretada por alguém que talvez nunca tenha sido verdadeiramente feliz. (será que eu já fui? talvez a gente nunca saiba ao certo)

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Friday, June 26 Menos uma luz na Ribalta

"Todo mundo que é fã do Michael começa a fazer Moonwalk agora. Vamos girar a terra ao contrário, voltar no tempo e salvá-lo". (by Erica Angelica)

Então, é mais ou menos assim: se até Michael Jackson pode morrer, então todos nós podemos.



Assim, de uma hora pra outra. Here today, gone tomorrow. No entanto, porque existem certas celebridades que desafiam a divisão vida/morte, não me parece que muita coisa tenha mudado. A diferença é que não existirão mais músicas novas e nem novas chances de ser processado por ter cometido o crime hediondo de sentar no mesmo banco que um garotinho imberbe sentou há vinte minutos atrás.

De resto, Michael e seu legado continuam, quer os detratores queiram, quer não.

Preciso dizer: estou positivamente surpresa com a reação das pessoas; só tive que ler UM comentário do nível de "menos um pedófilo no mundo". Só não entendo o que motiva alguém a mandar dois ou três tweets consecutivos reclamando de que "ninguém mais fala de outra coisa na internet". Para esses, eu tenho uma mensagenzinha singela: A INTERNET É OPCIONAL. Surprise surprise, você *não* precisa dela para respirar! Faz assim: rolou um evento ou comoção que não lhe interessa e a sua lista no Twitter/Facebook/MSN e similares se entregou a um chat coletivo sobre o assunto? Desligue o micro e vá tomar um sorvete, ler um livro, brincar com seu filho, fazer a barba, estudar, lavar um tanque de roupas. Essas coisas que você reclama de nunca ter tempo pra fazer, mas que só não faz porque passa o dia com a cara enfiada num monitor e dedando o teclado. Então, aproveite que "aiii, a internet tá um saco, hoje!", deixe as pessoas se manifestarem/desabafarem/comemorarem em paz e vá procurar o que fazer.

Sabe, eu não tenho saco pra quase nenhum tipo de evento esportivo. Se não morreu ninguém no jogo ou disputa, eu pouco me fodo. Então, quando é dia de jogo do Patropi e o pessoal resolve que seria muito legal narrar a partida chute a chute eu simplesmente dou um power off na internet e vou dormir. Simples assim, mas parece que os chatos, além de chatos, são também burros. Fazer o quê.

Michael, Michael. Por que empacotaste?? Eras novo, tinhas saúde. Estavas em relativa boa forma para vosso meio século, até onde saiba não fumavas ou bebias. Como o teu coração de repente decidiu que já era hora de encontrar Jeová em Neverland? Depois de uma infância de merda, de apanhar tão severamente de mãos de que você, por direito, só poderia ter recebido carinho e proteção, de ter tido sua juventude explorada em benefício alheio, acusado do pior dos crimes por pais tão ganaciosos e cruéis como foram os seus próprios, de ter sido exposto ao cruel julgamento popular e ter passado a vida inteira sob o escrutínio de pessoas que nunca chegaram a conhecê-lo. Não sei se foi uma vida feliz, mas não tenho dúvidas de que foi uma vida marcante. E necessária. E inspiradora.



Anos 80 e aquela chamada no Show da Vida global para o vídeo daquele rapaz negro de "apenas 25 anos" (mas cara de 18) que estava "fazendo o maior sucesso nos Estados Unidos". Na verdade ele já vinha fazendo sucesso há quase 15 anos, mas sabe como as coisas demoravam pra chegar no Brasil naquela época, né? Quase ninguém pelas bandas dos trópicos conhecia o moleque, mas a apresentação do vídeo de "Billie Jean" (devidamente mutilado para caber no espaço alocado pelo Padrão Globo de Qualidade) causou tamanha impressão que, dia seguinte, hordas de crianças ocupavam calçadas de subúrbio para imitar cada passo e promover concursos de dança. Basicamente, não se falou mais de outra coisa; pelo menos não até que o mesmo Fantástico resolveu "lançar" a Madonna com o vídeo de "Papa Don't Preach" (que eu não posso linkar porque, adivinhe, a gravadora da vadia limou todos os que haviam no YouTube).

Lembro da primeira vez que assisti ao vídeo de Thriller. Sozinha em casa, e minha casa era meio sinistra e ficava num lugar não menos. Seis e meia da tarde (eu nem consegui esquecer o horário). O medo foi tão grande que eu acendi todas as luzes, liguei o rádio no último volume e passei mais ou menos uma hora (até meus pais voltarem) pulando e gritando para tentar convencer o meu cérebro de que eu não estava sozinha. Uma criança não esquece uma experiência dessas. Eu nunca esqueci.



Então eu ia fazer um "Top 5 MJ vídeos", mas me dei conta de que talvez precisasse dividir o paradão em duas partes. Porque certos vídeos do Michael valem pelo que representaram em termos históricos e musicais, e outros pela produção e tecnologia envolvidas e o espétaculo que proporcionaram. Acho que somente um marca ponto nas duas categorias, e não apenas por isso ele é o primeiro da minha lista. E aí vai ela (com os runner ups que estariam num Top 10):

Runner-ups:
Remember the Time - O mundo pirando em Black or White, e eu acho o vídeo de "Remember the Time" bem mais cool. Talvez pelo fato de eu nunca ter suportado o Macaulay Culkin e achar a presença dele bancando o roqueiro poser mimado e depois o guetto nigga infantil profundamente irritante. E aqueles efeitos especiais de face morph no final do vídeo cansaram rápido. Prefiro o Michael pagando de amante de rainha egípcia (a lindíssima modelo Iman, mulher de David Bowie) e deixando Eddie Murphy pra lá de puto e afim de decapitar geral. Sem falar nas dancinhas, no Magic Johnson, nos belos cenários e figurinos, no gatinho adorável e a música que é ótima. E momento confessionário: eu cobiço o cabelo do Michael nesse vídeo.

Liberian Girl - Esse deve ter sido o vídeo com maior número de celebridades presentes na história. Adoro quando a Whoopi Goldberg pergunta, "mas quem está dirigindo esse vídeo?" e aparece a cadeirinha de diretor com o nome do Spielberg, trazendo o próprio sentado nela. O mote da coisa é que geral teria sido convidado a gravar um vídeo musical com MJ, e então estão todos lá, lendo script, preparando figurino, maquiagem, e ao mesmo tempo se perguntando, "onde está Michael Jackson?". E eis que ele aparece no final, câmera na mão, depois de ter gravado todo mundo e anuncia que o "vídeo" estava pronto. Se isso fosse vida real, acho que teria rolado um espancamento coletivo.

Don't Stop Till You Get enough - Observem como ele era bonito antes de pirar loko no bisturi. Claro que o nariz já havia entrado na faca por essa época, mas todos nós seremos unânimes em afirmar: ele devia ter parado por aí. Enfim, não importa. O que importa: perceber como apenas a presença, a voz e o carisma de alguém consegue transformar um vídeo rudimentar num clássico. Nada além de um chroma key tosco ao fundo, aquele trecho musical que serviu de vinheta para tantos "programas de videoclip" dos anos 80 e Michael dançando (ok, às vezes mais de um). E isso basta.

The Top 5:
5 - They Don't Care About Us - "máicou, máicou, eles não ligam pra gente!!". Erm. Não sei de quem foi a idéia de incluir essa "introdução", mas o fato é que o vídeo é lindo. Há uma outra versão, gravada numa cadeia, com mensagem de abertura politicamente correta e takes de tragédias mundiais. ZZZZ. Prefiro bem mais a versão da favela. Não tem nada a ver com o fato de ter sido gravada no Brasil, e tudo a ver com o Olodum. As cores são incríveis, as cenas de rua ficaram lindas (morry com geral siacabando de dançar na laje), Michael esta à vontade com o povão (a parte em que a moça o agarra e eles dançam juntos é ótima, assim como a que ele imita os passinhos das crianças do Olodum) e o vídeo inteiro pulsa com cor, ritmo e vida. Quase dá pra sentir o cheiro. Lindo.

4 - Beat It - O vídeo faz com que briga de gangues pareça uma coisa cool, apesar da mensagem pacífica. A maioria dos participantes foram escalados entre gangues de rua reais. Michael deve ter curtido o resultado, porque obviamente se inspirou nele para o vídeo de Bad (cuja coreografia está muito "branca" e mainstream; além disso, MJ estava de "nariz novo" again e queria mostrá-lo; daí os intermináveis - e chatos - closes). "Beat It" é um pop com cara de rock, como não nega o solo de guitarra de Eddie Van Halen. Coreografia clássica e repetida em calçadas de subúrbio por meninos e meninas para quem Michael era provavelmente o primeiro ídolo. E você também queria aquela jaqueta vermelha. Não negue.

3 - Smooth Criminal - Michael bancando o badass de novo, dessa vez vestido de malandro da Lapa. Originalmente parte do filme Moonwalker, esse trecho é um dos meus vídeos preferidos do MJ. Adoro a música, a coreografia, o cenário, a iluminação... Tem aquela parte bizarro lá pela metade, com geral se contorcendo e uivando, como se estivessem possuídos ou no meio de uma orgia e o vídeo meio que "perde a mão". Mas logo em seguida Michael retoma o leme, entra a cena onde ele faz aquela inclinação LOUCA (há uma explicação para ela, mas isso não a torna menos impressionante) e a parte fofa com as criancinhas. No fim, vira um tiroteio em baile funk. ALL LEVELS OF AWESOME PPLS.

2 - Billie Jean - Pena que a qualidade do vídeo esteja uma bosta, mas a música em si é absolutamente icônica. Segundo reza a lenda, teria sido inspirada numa "experiência real na vida de Michael" (aham), além de ter sido o primeiro vídeo de um artista negro a ser apresentado pela MTV (que achava que "música negra não era rock'n'roll o bastante"... wtf?). A emissora foi forçada a rodar o vídeo sob ameaça de ver a sua atitude racista estampada nos jornais; ironicamente, o fato de tê-lo exibido serviu para popularizar a MTV, até então um canal mais alternativo. A linha de baixo característica e a sonoridade única, contagiosa, definem a música. Segundo o próprio Michael era uma das suas preferidas ao vivo; e foi nessa apresentação (comemorando os 25 anos da Motown) que ele mostrou pela primeira vez ao mundo o famoso "moonwalking", treinado na cozinha de casa.

1- Thriller - Versão completíssima, desde a declaração do artista, Testemunha de Jeová, se isentando de culpa por estrelar um vídeo sobre "ocultismo", até os créditos finais. Você leu direito: créditos. Como se fosse um filme de verdade. E É um filme de verdade. É melhor do que muitos "filmes de verdade". A voz cavernosa do Vincent Price narrando a carnificina que haverá de se seguir? O filminho inicial que você pensa já ser o vídeo, só para se surpreender com o vídeo propriamente dito logo em seguida? A transformação do Michael em lobisomem? Os maravilhosos zumbis soltando pedaços pelo caminho? Os maravilhosos zumbis dançando com Michael? Os berros da heroína quando ela realiza que vai virar marmita de morto-vivo? A risadinha maléfica no final, que viverá para sempre no inconsciente coletivo? Nunca houve, nem haverá, um vídeo musical como esse. Engula a verdade, ó fã de Britney Spears.

Mas no fim, foi um começo muito brilhante para terminar de forma tão... comum e até mesmo patética.


Hoje ouvi alguém reclamar que ontem, enquanto o ícone de pelo menos duas gerações e influência musical absoluta se retirava do palco em definitivo, a MTV (aquela mesma, que não veiculava "música de preto"), ao invés de montar pelo menos um simples especial de vídeos, exibia um programa chamado "16 Anos e Grávida".

É isso aí, galera. O pop acabou.
O último a sair pendure a luva de prata atrás da porta.



porque você não é nin-guém na noite se não apareceu nos Simpsons.

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Wednesday, June 24 Noa Noa

As fotos da coleção de verão da Noa Noa estão quase tão lindas quanto as roupas:












Quanto morei na Alemanha, num bairro meio "posh", havia uma loja da Noa Noa quase na esquina. Eu passava por lá quase todos os dias, quando ia à cidade, e babava alguns litros na vitrine. Roupas do jeito que eu gosto, cheias de rendas, babados, fitas, em tons pastéis e neutros, tudo muito rococó e over the top. :)

Pena que era tudo tão caro. Eu lembro que passei o inverno inteiro choramingando na vitrine por um casaco de veludo verde escuro. Parecia saído do armário de um príncipe dos contos dos irmãos Grimm. Infelizmente a etiqueta marcando DUZENTOS euros me fazia cair na realidade. Eu até tinha o dinheiro, mas tinha também outras prioridades. E pensava que aquele casaco lindo em mim ia ficar parecendo um saco jogado em cima de um sofá velho (baixa estima diz OI).

Enfim, suponho que uma das vantagens de se ter uma criança (talvez a única, haha) é poder usá-la para satisfazer nossos impulsos consumistas frustrados. Fazê-la de boneca e gastar todo o seu salário entupindo o guarda roupas da coitada de coisas adoráveis, daquelas que você vai morrer de pena de jogar fora, reciclar ou vender quando ela finalmente estiver grande demais para usá-las.












Ufa, ainda bem que não tenho nenhuma.
O limite do meu cartão de crédito agradece.

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Tuesday, June 23 da série "Coisas que não entendo"



Marmelada. De LARANJA. It doesn't sound right.
Porque no Brasil a gente tem a fruta chamada MARMELO e convencionou-se chamar de "marmelada" o doce feito com ela. Mas existe marmelo na Inglaterra, também; só que ele se chama quince e seu doce, "quince jelly". Erm.

SEMPRE que vou comer em algum lugar (principalmente o famoso - e tão desprezado pelos brasileiros - english breakfast) e eles nos trazem aqueles potinhos pequenos de "orange marmalade", "lemon marmalade"... eu balanço a cabeça. E, mentalmente, começo a cantar:

"Marmelada de banana, bananada de goiaba
Goiabada de marmelo
Sítio do Pica-Pau amarelo"

Foto feita na janela da cozinha da sogra, na casa onde morei por um ano (antes de a véia vir para Jersey), esperando a reforma da nossa casa ficar pronta. A casinha fica acima da garagem mas, como o terreno é em aclive, ela tem um jardim convencional atrás (a geografia aqui é meio complicada, porém interessante). Da janela da cozinha (onde está o pote de marmelada) e da varanda da frente, tem-se uma visão completa da frente da minha casa, e eu passei aqueles mais de 12 meses observando de lá o desenrolar da obra, louca para que ela acabasse e eu pudesse, enfim, começar a criar o meu lar.

Essa foto aí embaixo foi feita na varanda da sogra e, ao fundo, a fachada da nossa casa. Dá pra ter uma noção do quanto é perto, né?


E, por fim, mudando de alho para bugalhos; o que fazer com os seus potes antigos de Bonne Maman? Reciclar, lógico. São bonitos demais para se jogar fora, o vidro sextavado, a tampinha com cara de toalha de piquenique. Eu uso os meus para guardar coisas belas. Como, por exemplo, as flores de fita que fiz:


Pronto, os potes já têm uso.
Falta eu achar alguma utilidade prática para as flores; sugestões?

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Monday, June 22 alice in burtonland

Então o queridinho dos alternativos agora vai fazer a sua versão de Alice no País das Maravilhas (estréia prevista para Março de 2010). Meu primeiro pensamento: "socorro". Segundo: "aposto que o Johnny Depp está no elenco". Bem, adivinhe:


Sem querer ser chata e jogar água na feijoada dos zilhões de fãs do rapaz (ele é bom, sim, mas não é isso TUDO) e das moças que o acham lindo (meh), acho que seria interessante se ele começasse a fazer uns papéis do tipo advogado, médico, professor universitário, padre torturado, etc. Porque se eu tiver que assistir a esse menino na pele de mais um personagem freak, weirdo e super maquiado eu GRITO.

Correndo o risco de ser apedrejada e oferecida em sacrifício no altar das celebridades alternativas, tenho que dizer que o Tim Burton é um diretor que me divide. Amo Edward Scissorhands, gosto muito de Nightmare Before Christmas e Beetlejuice. Não suportei Sweeney Todd e Charlie and The Chocolate Factory, Sleepy Hollow me entedia e Corpse Bride ficou aquém do esperado.

Mas nada me irrita mais do que a mania de escalar sua esposa poser, chata, feia e má atriz em praticamente todas as suas produções. Olha ela aí de novo:


E, continuando o padrão de escalar atrizes malas, olha a Anne Hathaway como White Queen (wtf).


Certo, já me expus à ira dos Deuses. Mas é claro que eu quero assistir assim mesmo, nem que seja pra imaginar Lewis Carroll se revirando na tumba (or not, hopefully).

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Saturday, June 20 Nancy and Marco

Estou achando fofíssimas as ilustrações dessa menina:










Ela tem um LookBook que é o melhor de todos porque a) as roupas que ela usa são adoráveis e b) ela desenha uma bonequinha parecida com ela usando as mesmas roupas que ela na foto!








Não é de matar de fofo? Quero enfiar essa menina na minha bolsa e andar com ela por aí (e com as roupas dela também, se apenas eu fosse assim tão magrinha e elas coubessem!).

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Pippi & Cath.

Recebi essa semana no correio da , que esteve comigo em Londres:




Toalhinhas da Cath Kidston (adoramos! não clique nesse link se a visão de coisinhas floridas e coloridas fazem você pegar o cartão de crédito e entrar em débito) e postais suecos (direto de Estocolmo, para onde ela seguiu depois de London) com a Pippi Longstocking, que amamos também. Quem é Pippi?

"Pelo mundo inteiro, Pippi Longstocking (Långstrump) encorajou várias gerações de meninas a se divertir e acreditar em si mesmas, fazendo maravilhas pela igualdade entre os sexos. Pippi é uma garotinha incomum; financeiramente independente, já que é dona de um saco de ouro. Ela sabe atirar e navegar, é sapeca e generosa, consegue carregar um cavalo nas costas e até o homem mais forte do mundo, Mighty Adolph.

Pippi Longstocking é uma garota rebelde, e desde 1945 vem ajudando a "libertar" crianças. No seu mundo de faz de conta, ela os salvou das leis dos adultos, forneceu-lhes quantidade ilimitadas de refrigerante e se manteve ao lado dos fracos e oprimidos. Então, não é de se estranhar que a pequena libertária tenha se tornado alvo de censura em países ditatoriais e conservadores e provocado a fúria de muitos adultos." (fonte)

You go, Pippi! :)


Muito obrigada pelo carinho, Rê; amei tudo. :)

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Friday, June 19 London Food

Londrinos que encaram o 9 às 5 diário raramente almoçam; afinal, a pressa é inimiga da digestão. A não ser quando se trata de um almoço com clientes, a maioria acaba pegando um daqueles combos de "sanduíche + bebida + batatinha frita" que se encontram à venda em lugares tão díspares quando drogarias e livrarias (Boots e WHSmith, oi!).

Quem estiver disposto a gastar um pouco mais (e ter um lugar para sentar), procura por lojas de rede como Starbucks, Nero, Pret A Manger, EAT, Costa e similares, que se espalham feito praga pelas metrópoles. Por que não gosto delas? Porque elas transformam a experiência de escolher um café de rua para sentar, folhear um menu e decidir o que comer/beber numa coisa massificada, num ato mecânico. Você já se encaminha àquele endereço certo, nem pensa no que vai pedir porque já sabe de cor o que há no menu. Quando o cardápio muda em uma loja, vai mudar em todas as lojas da rede. Uma rua inteira servindo comida parecida, por mais bem feita que seja e por mais qualidade que tenham os ingredientes, não é exatamente a minha idéia de turismo gastronômico.

Enfim, evito sempre que posso, mas o fato é que nem sempre posso, porque realmente tem se tornado muito difícil encontrar cafés e lanchonetes alternativas pelo centro de Londres. Quando me deparo com uma lojinha pequena, escondida numa rua transversal de pouco movimento, com staff reduzido e geralmente compartilhando a mesma nacionalidade (italianos, turcos, brasileiros, romenos) chego a me emocionar. E mesmo que o sanduba venha meio mal montado, que a pessoa responsável por fazer meu cappuccino seja lenta e que os copos sejam reutilizáveis, é lá que eu vou tomar café.

Dessa vez fui obrigada a experimentar a EAT. Eu estava dentro da TopShop de Oxford Circus, morrendo de cansaço e fome e querendo fazer xixi. A lojinha me oferecia sofás acolchoados, banheiros limpos e estava bem ali na minha frente; eu nem precisava enfrentar a fila pra pagar, sair da loja e ir procurar um café semelhante, porém lotado e sem lugar pra sentar. Nem pensei duas vezes. Taí a minha escolha: sanduíche de peru com frutas silvestres (cranberries, e o Google me traduziu como OXICOCO. Socorro), coca cola real thing (porque a light me causa enjôo e dor de cabeça) e um singelo cupcake rosa com uma florzinha amarela de marzipan em cima (o buttercream meio doce demais, mas me acabei assim mesmo).



Preço: pouco mais de seis libras. Veredito? Bastante aceitável, mas ainda prefiro o panini de bacon, cranberry e queijo brie que eu como aqui no Lewis em Jersey. :)

Quando estou pelas imediações, sempre como em algum dos muitos estabelecimentos em chinatown. Gosto de comida asiática, porém descomplicada, bem no estilo lanchonete. Sem essa de mesa reservada, "gostaria de ver a lista de vinhos?", guardanapo no colo, entrada, main course, sobremesa, "gostaria de um café?", "a conta, por favor", adicione 10%. A variedade de lanchonetes estilo fast food é grande, a comida é bem feita, as porções generosas e o preço, justo. 100% made of win. Gosto do Wasabi, que não fica em chinatown mas deve ser a rede de sushi mais famosa de Londres. Os sushizinhos são preparados por robôs (mais higiene, preço menor) . Meu preferido é o da Oxford Street que fica quase em frente à Selfridges, com bastante lugar para sentar (desde que você chegue antes das 11 da manhã...). Pegue um bentozinho de papelão, escolha os seus sushis (ou um bento já montado, ou um baldinho com carne + arroz ou noodles) e manda ver. :)

Aí embaixo, Flávia em chinatown totalmente desprezando a minha escolha de bebida. Mas a verdade é que esse suquinho de uvas verdes com pedacinhos de fruta é o paraíso geladinho por menos de uma libra.


Para onde você olhe em chinatown, haverá uma vitrine de restaurante coberta de patos à moda de Pequim, só esperando um prato (novamente, vegetarianos, sorry pela foto assim tão gráfica!):



Lá você também acha lojinhas vendendo todo o tipo de tranqueira oriental, os docinhos com as embalagens mais fofas, centenas de balas, biscoitos e pudins com a Hello Kitty de garota propaganda e os "bolos de padaria" mais fenomenais da cidade:






Juro que um dia vou comprar um bolo desses só pra mim, e descobrir se eles são apenas bonitos ou também gostosos (dúvida que sempre me assola quando se trata de sobremesas orientais).

E quanto às tralhinhas, dessa vez não pirei muito. Só comprei essas balas de leite (mastigáveis e viciantes), o suco de líchia (meio sem graça, e os pedaços de GELATINA dentro da lata didn't quite enhance the experience) e os biscoitinhos com cara de sorvete - sem graça também, porém embalados individualmente em envelopinhos em tons pastéis. Ah, os japoneses...




Outro restaurante oriental de que muito gosto é o Wagamama. De novo, está por toda a parte (é uma rede, infelizmente, porém não tão predatória como as especializadas em cafeína), e você pode esperar comida boa e farta, preços acessíveis, cardápio interessante, mesinhas comunitárias (onde todo mundo se senta junto, o que não significa que você vai sair do restaurante cheio de amigos) e MUITA FILA nos horários e locações mais concorridas.

Eu, Renata e Erasmo chegamos já bem tarde, pouco antes das dez da noite (já estavam quase fechando), e o lugar estava praticamente vazio. Foi uma experiência única; acho que o mais perto que cheguei de um Wagamama às moscas foi em Earl's Court, mas também porque o lugar não é central e eu cheguei no meio da tarde. De entrada, edamame beans cozidos com sal marinho em cima. Yummy:


Eu não lembro, nem fotografei o que o Erasmo pediu; mas a Renata (que nunca havia comido ali) confiou na minha dica e pedimos um chicken curry katsu, meu prato predileto do cardápio. Por sorte ela amou, se bem que a meu ver não há como não amar arroz branquinho + fatias finíssimas de frango à milanesa super macio + curry bem leve e uma saladinha esperta com molho delícia:


Se você tem gostos mais patrióticos e não abrir mão de típica comida de boteco carioca quando estiver nos domínios de Lilibeth, também não precisa arrancar os cabelos. Pois em verdade vos digo: as melhores coxinhas que já comi na vida saíram todas daqui. E com guaraná Antarctica gelado ainda; o que mais você quer?


Se você requer algo com mais "sustança", corra para um dos muitos restaurantes "brazucas" (esse termo agride meus tímpanos, mas enfim) localizados em áreas como Camden, Kensal Green, Willesden, Kensal Rise, Charing Cross, Oxford Street... Desculpem as fotos sem foco e feitas às pressas; nós estávamos com fome!








A caipirinha de morango é uma delícia, mas não vale o preço cobrado porque o copo tem mais gelo do que bebida; uma pena. A feijoada também é ótima, mas vem da cozinha com uma mixaria de farofa, que aliás tem cara de ser daquelas em saquinho da Yoki (talvez até seja), sem falar na quantidade ridícula de couve. Pelo preço cobrado (12 libras) eu esperava bem mais. Já o "snack platter" (bandeja de salgadinhos) pelo mesmo preço é value for money; vem bastante coisa e, na foto, você pode ver a Flávia em apuros para conseguir terminar o dela (é claro que nós ajudamos, hehe).

Outro porém foi o garçom, medianamente gatinho, que não quis nem por decreto dizer para as moçoilas solteiras e interessadas (tô fora desse grupo) que era de Portugal, mesmo com a cara de Manuel e o sotaque pesado. As meninas perguntaram de onde ele era, já que a maioria dos garçons dos restaurantes brasileiros é paulista, mineira, carioca ou goiana e estranhamos o maluco só falando conosco in english.

Manuel: "I'm from Europe".
Lolla: "But where in Europe?"
Manuel (virando as costas): "I'll leave you guessing, ora pois!"

(ok - o "ora pois" eu confesso que foi piada minha)

Cansou? Quer relaxar? Então vá tomar um cafezinho no Ritazza, que tem muffins maravilhosos para acompanhar, ao contrário daqueles tijolos sem gosto do Starbucks. Só não tem o wi-fi de graça do Starbucks; mas a gente veio aqui pra beber ou pra blogar? :) Aí embaixo, meu Latte Macchiato em Victoria Station, na companhia da edição de Julho da Nylon:


E os brazuquinhas (urgh) ainda têm a pachorra de reclamar da comida aqui?
Façam-me o obséquio. ;)

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book bargain.



Nada mais gostoso do que livrinhos de decoração. Capa dura então, melhor ainda.
E cada um custou apenas uma libra, numa "dump sale" aqui em Jersey.

(sem desculpa agora para negligenciar a casa e deixar o jardim com cara de selva, certo?)

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Thursday, June 18 Relaxed.

Eu não entendo muito bem gente que diz adorar cachorros e detestar gatos. E vice versa. Para mim, quem gosta de bicho, gosta de bicho. Assim, sem muitas condições e poréns. Confesso não ser muito fã de insetos, mas acho que nesse caso eu posso culpar picadas, alergias e inconveniências como mosca na sopa, abelha no refrigerante e formiga no bolo (uma regra fundamental para que qualquer bicho conquiste a minha estima: não mexa com a minha comida).

Mas é impossível não se sentir em paz com um felino adormecido ao redor. Pra mim, casa sem gato não é um lar.




Gosto de todo e qualquer bicho (amo suricates!), mas pendo mais para o lado dos felinos porque, assim como eu, eles sabem relaxar e curtir o seu próprio espaço. Cães são seres incríveis, mas muito agitados, dependentes e carentes. O meu completo oposto. Daí eu me derreter para eles na rua, mas não ter tanta certeza se um cachorro caberia na minha vida. Let's see.

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Wednesday, June 17 Bem feito, eu devia estar dormindo.

Mas ao invés de dormir, fiquei aqui organizando minhas listas de reprodução no YouTube. Foi quando percebi que boa parte dos vídeos havia sido "deletada pelo usuário". WTF?

Quando tentei encontrar outros vídeos das mesmas músicas para substituir, a ficha caiu: os usuários não tiveram nada a ver com isso. Foram as gravadoras que, depois de matar sites como o Napster, MixTape, Blip e tantos outros, agora resolveram partir para cima do Tubão.

Nem tenho palavras para descrever o tamanho da desgraça que isso representa. A imensa maioria daquelas músicas eu tenho em CD (sim, comprados em loja) ou por meio de downloads legais em sites como o Legal Sounds. Me dei ao trabalho de organizar aquelas listas de reprodução não para poder "ouvir de graça" e estender o privilégio a terceiros, mas sim para compartilhar com as pessoas o que ando ouvindo e o que sempre ouvi e ficar sabendo o que os outros ouvem. E, se gostar, ir ali na Amazon, Play.com, Ebay e comprar. Só que agora me sinto uma palhaça por ter pago dinheiros a empresas que fazem cocô na cabeça dos clientes que as sustentam e chamam seu amor pela música de CRIME contra "direitos autorais".

Daqui a pouco não vamos nem mais poder cantarolar um guilty pleasure qualquer no chuveiro - cinco engravatados vão abrir a porta do box e estender uma maquininha de cartão de crédito. "Ahá, difundindo propriedade intelectual ilegalmente! Pode ir digitando o seu PIN aqui, espertinho."

Em nome de todo mundo que gravou fitas cassete na infância/adolescência, ou VHS de programas de videoclip nos anos 80 e da MTV nos anos 90, que carregou nas costas pilhas de vinis emprestados para tocar em festinha de aniversário, que ligou para rádios mil vezes pedindo uma música nova, que tem toda a discografia das suas bandas favoritas (e que compra o CD novo mesmo que ele seja uma bosta), que juntou centavos por meses para encomendar nas lojas um CD importado que nunca seria lançado no Brasil, que pagou ingresso caro para ir a shows, que comprou camiseta na barraquinha de merchandising, que colou pôster na parede, que fez fansite na internet e xerocou letra de música para distribuir para os amigos, toda essa gente que entende de verdade o real significado da música, que vem fazendo com que ela sobreviva e que dependeu (e ainda depende) dessa lifeline para sobreviver. Gente como nós.

Em nosso nome eu prometo nunca mais comprar um CD na vida.
Ou eu aprendo a usar o Torrent, ou doravante só ouço rádio.

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you and i.



Acabei de achar a música fofa.

"don't you worry, there my honey
we might not have any money
but we've got our love to pay the bills

maybe I think you're cute and funny,
maybe I wanna do what bunnies do with you,
if you know what I mean

well you might be a bit confused
and you might be a little bit bruised
but baby how we spoon like no one else
so I will help you read those books
if you will soothe my worried looks
and we will put the lonesome on the shelf

oh lets get rich and buy our parents homes in the South of France
let's get rich and give everybody nice sweaters
and teach them how to dance
let's get rich and build our house on a mountain
making everybody look like ants
from way up there you and I, you and I, you and I"

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Nem Lush, nem lixo.

Há uns mil anos atrás eu tinha essa correspondente (penpal, amiguinha por carta, chame do que quiser) da Bélgica que, em uma das caixas cheias de inutilidades regionais fofas que costumávamos trocar, me mandou um sabonete da Lush. O cheiro era bom, até hoje eu tenho a caixa e o cheirinho de morango continua lá.

Essa verdade não se pode negar; os produtos da Lush têm um cheiro INCRÍVEL.
Mas pára por aí.

Passei por acaso na loja da Regent Street com a Flávia e resolvi trazer umas coisas cheirosas para casa. Nada ali é exatamente barato, então não pirei e escolhi a dedo o que me interessava. Comprei duas "massage bar" (sabe-se lá o que isso significa, mas fui informada de que era um nome estiloso que deram para sabonete), um pote de creme de limpeza com algas marinhas e um vidro pequeno de sabonete líquido com aparência e cheiro de sorvete de morango.




Aí estão as massage bars (como comprei duas, ganhei essa latinha fofa de presente). A primeira, em forma de coração e "sabor" chocolate branco, tinha mesmo cheiro de chocolate branco. A segunda tinha forma de favo de mel (adivinhe o cheiro?). A delícia ficou por aí, e eu devia OU ter comido as barras ou guardado na gaveta para deixar minhas calcinhas cheirosas. Fui cometer a asneira de entrar com uma delas (a de chocolate) no chuveiro.

Assim que a esfreguei na pele, fui recoberta por uma camada grossa de GORDURA. Sério. Agora eu sei como se sente uma galinha depenada, sendo preparada para o forno e lambuzada de manteiga. Nojento define. E por mais que o chuveiro despejasse água em cima do meu corpinho, nada da banha sair ralo abaixo. Fui obrigada a gastar meu parco conhecimento de química, passar a mão num sabonete de verdade e me ensaboar, emulsificando a gordura e enxaguando com água quente; só assim me livrei de ir pra cama parecendo um pastel de feira (cheia de óleo por todos os lados).

E agora vem o melhor: pelo menos 25% do "sabonete" simplesmente desapareceu no banho. Além de deixar a pessoa amanteigada, o negócio acaba depois de quatro utilizações rápidas (essa parte nem é tão ruim, vai). É claro que não experimentei a barrinha de mel; vai que, além de ficar engordurada, eu também acabasse ficando DOCE? Há limites para tudo nessa vida.




Aí em cima, o "creme de limpeza" e o sabonete líquido. Lavei o rosto uma única vez com o creme, segundo instruções do pote. Ao estabelecer contato com a água morna, o negócio se transformou numa gosma que derreteu e escorreu pelo pescoço, meu rosto ficou branco e COBERTO de farelinhos verdes de algas marinhas. Como não tenho vocação pra Pequena Sereia, passei meia hora retirando farelo por farelo à unha. Meu rosto não ficou mais limpo do que estava antes e o produto NÃO removeu os restos de maquiagem, como prometia. Pelo contrário, borrou o resto de rímel da noite anterior e, somado com os farelos verdes e a gosma branca, eu fiquei A CARA do Tio Fester depois de vomitar um repolho.

O produto menos ofensivo do lote foi o sabonete líquido. Cheiro muito bom e textura decente, pena que, oi, NÃO FAZ ESPUMA. E infelizmente JÁ ESTÁ fora da validade; o vidro foi deixado na prateleira mesmo depois de estar vencido há dois dias.

Dizem que os cosméticos da Lush, por "não terem conservantes", devem ser mantidos na geladeira e consumidos rapidamente. Ou seja, safadeza da loja deixar um item fora do prazo de validade exposto aos clientes desavisados (a data de fabricação estava escondida atrás de uma etiqueta com uma "caricatura" do funcionário que havia misturado os ingredientes daquele produto).

Resumo da ópera: a Lush só faz algum sucesso porque mulher é babaca, acredita na propaganda, gosta de bancar a sensível e ecológica ("a Lush não testa produtos em coelhinhos peludos e fofinhos") e praticamente menstrua ante à visão de uma loja coloridinha, produtos cheirosinhos, vendedores modernosinhos e um hype à altura do precinhos extorsivos na prateleira. "Aaaai, que LUXO, é da LUSH! Sente o cheiro... Maravilhoooso." A essa altura o cérebro já virou shampoo e aí danou-se.

É. Algumas lembranças ficam melhor no passado, onde elas pertencem e dividem o apartamento com a ilusão e a ignorância. 18 libras MUITO BEM desperdiçadas; me ensinaram de uma vez por todas a comprar sabonete no supermercado e creme de limpeza na farmácia.

Pfe.

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Cama, mesa e banho.


Ok, eu vomito na Alexa Chung, mas troco mãe e pai por esse quarto. E especialmente por essa colcha ABUSO com a union flag.

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Tuesday, June 16 breathless.










{À Bout de Souffle, captions by Giurassic}

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Da série "Pode enfiar... na bunda?".


Dois mil e quinhentos dólares.
Por uma bolsa de couro imitando uma bolsa de papel. Com esse logo IMENSO e cafona na frente.

Chanel, fique à vontade.

(via the bag snob)

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Verdades de bolso.

"Cuide de si mesmo. Se está doente, fale com um médico. Se está triste, procure um analista ou converse com um amigo. Se está infeliz no amor, termine. Se está de saco cheio com a sua aparência, compre uma camiseta nova ou pare de comer queijo. Se tem um problema, tente consertá-lo. Muitos problemas são complicados e exigem um bocado de trabalho, ou tempo para resolver, mas depois de alguns meses de reclamações e nenhuma solução, as pessoas ao seu redor vão começar a se perguntar se você na verdade gosta dos problemas pela atenção que você recebe. Desabafar, tudo bem; inércia combinada com biquinho, não. Entediado? Vá ler uma revista. Com raiva de alguém? Então diga - para esse alguém. Mudar é difícil; uma pena. Esforços contam. Faça um. O plantão da sua mamãe já acabou faz tempo."
(tomatonation)

"E eu declaro que minha vida não é mais interessante, e então culpo a cidade, o emprego, os amigos. A verdade é que o problema sou eu. E estou tentanto me entender e descobrir quem sou, mas quando finalmente descubro, já mudei o plano inteiro."
(modest mouse)

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Almost british.

Ah é, né. Esqueci de comunicar aqui o Grande Feito; fui aprovada no teste de Cidadania britânica. 88% das questões, o que não foi supimpa porque eu esperava gabaritar a prova. E só não gabaritei porque eles disseram que não iam cobrar conhecimento de datas e, adivinha? Cobraram. Sorte eu ter falado com minha mãe no telefone dias antes da prova e ela ter perguntado se "tem santo na Inglaterra? O dia de São Jorge é o mesmo dia que celebramos aqui, 23 de Abril?".

Quem diria que as perguntas idiotas da minha mãe um dia teriam utilidade.
E que saber quando se comemora o dia de Saint Patrick's faria alguma diferença prática na minha vida.

E as duas outras questões relativas a datas eu obviamente errei. Se fode aí, Home Office.

Em resumo, o teste leva cerca de 20 minutos para ser feito SE você estiver espremendo os neurônios para se lembrar de datas, como eu estava. Do contrário, 10 minutos para revisar os "X" marcados e pá.

Porque, no fim das contas, te dão (ou melhor, vendem) um livro de 300 páginas super foda sobre história, economia, política e cultura, e na prova te perguntam "As pessoas se fantasiam e pedem doces no Halloween? Verdadeiro ou Falso?"

(Agora começa a corrida pela naturalização propriamente dita; pagar dinheiros e pedir o passaportezinho bordô. Mas isso tudo terá valido a pena: melhor ainda do que não ter que responder mais a pergunta cretina em aeroportos, só mesmo não precisar justificar voto nem "recadastrar CPF". Deus é bom)

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Monday, June 15 Home from home; two notes.

Apesar de eu estar a apenas 40 minutos de ônibus de Oxford Street, não posso dizer que "moro bem" em Londres. Sim, 40. Com a quantidade absurda de sinais de trânsito + a lentidão com que os ônibus se arrastam naquela cidade, quarenta minutos significa que estou bem perto (fosse no Rio, dez minutos cobririam o trajeto). Estou no sul - south east, pra ser mais exata, na região administrativa de Southwark - numa área que faz divisa entre New Cross e Peckam, sendo esse último um bairro populado majoritamente por africanos e, coincidentemente, a capital do knife-crime no sul de Londres.

That's right; a rapaziada lá se amarra em carregar facas no bolso e usá-las para intimidar qualquer um que tenha cara de bunda mole e não lhes esteja mostrando o devido "respeito".

É lógico que antes de me comprometer eu fiz o meu dever de casa e pesquisei na internet. E, quando até a Wikipedia te avisa que o lugar é heavy metal, melhor acreditar. Não faltaram pessoas me aconselhando a NÃO alugar ali, mas o preço era bom, a família gente boníssima e, barra pesada por barra pesada, eu morei no Rio de Janeiro ("sou carioca, pô!"). Melhor me preocupar com a minha segurança do lado de fora da casa do que me enfiar em bairro de brasileiro, dividindo a casa com outros 20 brasileiros e ter que me preocupar com a segurança do meu laptop, da minha câmera e das minhas bolsas DENTRO da casa. If you know what I mean.

Well. No dia seguinte à minha chegada, eu tranquilamente me encaminhava para o ponto de ônibus quando um rapaz negro veio caminhando na direção oposta. Já chegou falando e, através do sotaque estuário pesado, eu decifrei um "can you help me?". Parei e logo percebi meu erro: ele desenrolou a velha história do "preciso de uma libra para inteirar a minha passagem e voltar pra casa" que eu, em condições normais, teria negado. Mas enfim; eu estava em Peckam, a capital Londrina de esfaqueamentos. Achei melhor puxar a carteira da bolsa, tirar dela uma moeda de uma libra e entregar. Foi quando ele disse "não, eu falei TRÊS libras".

Fodeu.

EU: Querido, eu não vou te dar três libras. Eu também preciso de dinheiro para a minha passagem de volta, senão vou ter que ficar pedindo, igual a você.
ELE: Você não me entendeu, EU FALEI TRÊS.

A essa altura confesso que um leve pânico tomou conta de mim. A reação natural seria a de mandá-lo ir à merda de bicicleta e seguir o meu caminho; mas, e se ele tivesse uma faca no bolso? Continuei argumentando na esperança de convencê-lo (ou cansá-lo, o que viesse primeiro) quando olhei para o lado e, dentro de uma lanchonete de comida halal, vi dois homens de aparência árabe sentados no fundo, gesticulando em minha direção. Levei algum tempo para entender que eles estavam me aconselhando a não dar dinheiro algum. Na dúvida (e na falta de opção) acabei entrando na loja para tentar desencorajar o pedinte; só que ele entrou atrás de mim, e foi quando um dos árabes se emputeceu:

ÁRABE: Cai fora da minha loja! Sai ou eu vou ligar pra polícia!
VAGABUNDO: Não, ela vai me dar dinheiro!
ÁRABE: CAI FORA DA MINHA LOJA AGORA!!

O vagabundo não saiu, os xingamentos começaram a ser trocados e as cadeiras começaram a voar. Sério. O árabe enfezado passou a mão na mobília e começou a catapultá-la na direção do intruso; uma delas passou a uns vinte centímetros da minha cabeça. Quando o neguinho finalmente achou mais prudente se retirar, fiquei sem coragem de sair; vai que ele estava ali fora me esperando pra me furar toda? Sentei numa das poucas cadeiras que ainda estavam no lugar e pedi uma coca cola. Enquanto árabe TPM arrumava a loja, o mais quietinho me disse que aqueles caras viviam por ali esmolando e que eu não deveria ter dado dinheiro nenhum (falar é fácil, baby). Enquanto ele me aconselhava e eu bebia minha coca tentando recuperar o fôlego, chegou outro africano pedindo um take away de galinha frita.

O árabe foi fritar a galinha e o rapazola ficou lá em pé, me olhando de cima a baixo com um sorrisinho cafa iso 9000 no rosto, cheio de segundas e terceiras intenções. Percebi. Olhei a lata de coca cola ainda pela metade e calculei o tempo que levaria pra chegar até a porta antes que o Don Juan da Nigéria resolvesse me dirigir a palavra. Problema: o medo de sair e dar de cara com o Jack the Ripper do Caribe.

Don Juan (sorrindo): what's your name?
Eu: Sorry?
Don Juan: Your name.

Fodeu II.

Eu: Lolla.
Don Juan: Where are you from?
Eu: BRASIL.
Don Juan: Wow. Brazil.
Eu: ...
Don Juan: So, do you live here?

E assim prosseguiu a "conversa" meio unilateral. Ele falava, eu sacudia a cabeça e sorria. Whatever, mate; deixa só eu terminar essa coca que eu vazarei daqui e já estou achando melhor encarar uma faca de cozinha engordurada na barriga do que essa sua conversinha mole E o cheiro da sua galinha frita.

Pra ser honesta, o cheiro era a pior parte; galinha à parte, o rapaz fedia a fritura misturada com suor e maconha. Senti esse cheiro várias vezes durante a minha estadia, e acabei descobrindo de onde ele vinha quando passei de ônibus por um mercadinho no centrão de Peckam e vi as vitrines cheias de latas de óleo tamanho jumbo. A galera do Caribe frita simplesmente TUDO o que come, e aquele cheiro de gordura velha e reutilizada gruda neles, nas roupas deles, nas trancinhas de nylon e perucas que a mulherada usa.

Não se trata de "preconceito racial", é FATO; desafio a qualquer um que tenha nariz a adentrar o 436 comigo e respirar. Qualquer pessoa cheirando a galinha frita e suor (tenha a cor, etnia ou ascendência que seja) não vai virar meu amiguinho a menos que eu um dia acorde sem o sentido do olfato.

Depois de uns dez minutos, não aguentei mais o papo, nem o cheiro do cidadão; já ia me levantando quando ele apresentou um business card (isso a despeito de feder mais do que a Morte e estar vestido feito um mendigo) onde o nome Junior (!) vinha logo acima de um número de celular. "Me liga e vamos nos divertir", disse ele enquanto me acompanhava até à porta, segurando a sacola de galinha frita com uma mão e a minha cintura com a outra. Sorri para não irritar meu pretendente e entrei no primeiro ônibus para o centro que passou. Sentei e borrifei meio vidro de Amarige na roupa para aliviar a catinga. Por sorte não vi mais o conquistador, nem o Jack the Ripper Caribenho.

Uns três dias depois, eu já estava no ponto de ônibus segurando orgulhosa o meu Oyster Card quando percebi que um outro negão (esse mais velho e mais gordo, mas igualmente malcheiroso) veio se aproximando e se enconstando, praticamente se espojando, na minha bolsa.

Pára. Peraí. Nem minha mãe, depois de tomar banho com álcool, encosta desse jeito na única Marc Jacobs que o meu dinheiro conseguiu comprar. Amigo, SAI. Mudei a bolsa de braço, olhei o dito cujo com a cara mais feia que consegui fazer e abstraí. Foi quando ele, agora com o caminho livre, tacou sem cerimônia a mão na minha bunda. ALI. Ponto de ônibus cheio, plena luz do dia.

Eu não tenho nenhuma explicação antropológica para o fenômeno, mas a verdade é que os africanos são BEM mais ousados e diretos que os brasileiros (os ingleses, coitados, esses então nem contam). Fiquei passada com as cantadas que ouvi nessa semana, coisa que nunca ouvi nem no Brasil. A mais bonitinha foi de um grupo grande (africanos, ingleses e latinos) trabalhando numa obra perto da casa. Um dos negões pôs a cabeça para fora da van e gritou "HEY SWEETIE" (eu adoro ser chamada de sweetie). "YA BRIGHTEN UP MY DAY WHEN I SEE YE".

Aww, fofo, vai. Mas aí eu me dou conta de que estou usando um cardigan PINK FLUORESCENTE, e concluo que "iluminar" o dia de alguém assim é muito fácil. Acabo rindo e praticamente TODO o contingente de trabalhadores braçais da rua começa a aplaudir.

Como se costuma dizer por aí, não há crise de baixa estima que uma bela cantada de pedreiro não resolva. ;)

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Sunday, June 14 last words.


Dear Lana, By the time you read this I’ll be back home in Lincoln. I’m scared of what’s ahead, but when I think of you I know I’ll be able to go on. You were right, Memphis isn’t that far off. I’ll be taking that trip down the highway before too long. I’ll be waiting for you. Love always and forever, Brandon.”

{boy's don't cry}

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miss Birkin.

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Thursday, June 11 randômicas da greve.

E eu hoje toda encantada com o brasileiro de 23 anos, recém chegado de Goiânia, que conheci graças à colombiana maluca. Um amor de menino, um balde de educação transbordando de "please" e "thank you", coisa tão rara em hoje em dia. Levei uns 20 minutos para perceber que ele usava essas duas expressões com tanta frequência porque eram praticamente as únicas que ele sabia falar em inglês.

Me propus a ensinar uma terceira ("you're welcome"), mas ele não pareceu entender qual a aplicação. "Mas welcome não é o que falam pra gente quando chegamos num lugar?".

Dei de ombros. A prática fará a perfeição (ou não).





Por falar na colombiana maluca. Que lê meu blog e vai já, já descobrir esse link, mas não me importo porque eu disse à própria que a achava maluca. Não entrarei em detalhes. Mas o fato é que me ocorreu hoje que eu devo ser uma espécie de pára raio de mulher louca. O que não deixa de ser intrigante, visto que eu sou a pessoa menos "louca" do universo. É claro que eu adoro. Opostos se atraem e eu pego carona temporária nos desvarios das meninas, living vicariously porque me faltam culhões para fazer o que elas fazem e falar o que elas falam. É uma relação meio bulímica com a extroversão; experimento o gosto, mas não sofro as consequências (mais alguém aí ficou enjoado com essa minha metáfora porca?). Ser voyeur de doida é o meu passatempo predileto em tempos de recessão emocional, ou seja, quando eu estou me sentindo mais pra baixo que a sola das minhas sapatilhas.

Curiosamente, o fenômeno não se verifica quando se trata de homens. Geralmente atraio os certinhos, metidinhos e elitistas, just like me. O que às vezes é bastante conveniente, mas noutras bastante incômodo, principalmente quando tento entender o porquê.


Segundo e último dia da greve dos metroviários em Londres. Opiniões se dividem entre os que acreditam que eles têm direito a protestar e os que se revoltam pelo fato da classe (que já recebe um salário razoável - cerca de 40 mil libras anuais - além de benefícios e férias longas) pretender um aumento de 5 por cento quando o país encontra-se empobrecido e felizes são aqueles que pelo menos conseguem manter um emprego. Meu conhecimento sobre o assunto não é suficiente para que eu emita uma opinião, portanto mantenho-me quieta e desbravo a cidade munida de mapas de ônibus para Central e South East London.

Por falar em ônibus. Estava eu na estação de Victoria aguardando o meu quando ouço os berros. Emitidos por uma loirinha de uns 5 ou 6 anos, esperneando por não querer adentrar o coletivo. A mãe tenta consolar: "calma querida, o metrô volta a funcionar amanhã... Olha, o ônibus não é tão ruim assim, está vendo?". HAHA. Isso praticamente valeu por toda a inconveniência que essa greve me causou. Mamãe e filhota desceram devidamente em Pimlico, que é a parte mais posh do trajeto do meu ônibus.


British bashing do dia: alguém avisa às inglesinhas (e às polonesas também, porque né, similares) que meia calça preta IS NOT EQUAL legging preto? Nem se for fio 80? Gente. NÃO-É-CALÇA. A afirmação basta ou vai ser necessário um organograma? Porque eu estou cansada de ver mulheres pagando calcinha desnecessária. Realizem: meia calça é transparente. Não dá pra usar com camiseta curta sem pagar calcinha (ou sem pagar de periguete). Certo? Certo.

É sério. Não aguento MAIS. Passou a moda do "legging molhado", entrou a moda da meia calça. Socorro. Os homens podem até achar interessante, mas apesar do meu cérebro ser masculino segundo qualquer teste tosco de internet, minhas tendências lésbicas não se manifestaram até o presente momento. Então, nigga please. Quit that shit. Thanks.



Comecei o dia sentada no Wetherspoon's de Victoria, comendo cottage pie e bebendo cerveja. No café da manhã. Teria sido very british indeed se não fosse pela colombiana maluca falando em espanhol no Skype Phone. Porque tudo bem ser riquinha e morar na zona 1, mas não é por isso que ela precisa ser besta e pagar uma fortuna em ligação internacional. Garota esperta; me ufano das minhas amiguinhas, mesmo as malucas.

Depois entramos no 52 pra ir a Notting Hill. Colombiana maluca me avisa que antes de me conhecer ela nunca havia andado de ônibus em Londres. Me senti importante, praticamente um divisor de águas na vida daquela pessoa. Pessoa que geralmente anda de táxi ou no carro do marido (e muito de vez em quando, de metrô).

Uma brasileira no ônibus fala ao celular, detalhando sua vida sexual para a amiga do outro lado da linha. Já é essencialmente errado conversar intimidades em português em Londres, porque a cidade fervilha de brasileiros. Considerando que o 52 faz ponto final em Willesden, tradicional reduto de "brazuquinhas", a atitude da menina cruza o limite da displicência e atinge o patamar da burrice. Too much information.

A intenção da colombiana (fotografar a portinha azul do Hugh Grant no filme A Place Called Notting Hill) foi frustrada por algum espírito de porco que pintou a porta de preto. Fabulous. Sentamos num café charmosinho para fugir do vento frio, e acabamos traçando um latte duplo + cupcake de chocolate branco com recheio de limão. O tipo de iguaria cujo nome eu nem devia estar digitando, nem mesmo pensando sobre. Não só pensei, como digitei e COMI. E era bom. E foi a última coisa que comi hoje. A dieta que inventei (comer pouco, mas só o que é bom), segue de vento em popa.

Já perdi dois quilos, mas mantive a vontade de viver, que é o que eu costumo perder primeiro quando começo a fazer uma dieta convencional. Por enquanto, sucesso.

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Wednesday, June 10 Desde domingo à noite.

O post não vai ser ilustrado como deveria, porque eu esqueci de trazer os cabos para fazer o download das fotos (e vídeos) da câmera. Percalços de viver uma vida dividida em várias fronteiras.

Finalmente o probleminha no Wi-fi foi diagnosticado e reparado. Temos internet em "casa". Jantei com Renata e Erasmo no Wagamama, o mesmo chicken curry katsu que comi na filial de Earl's Court há um mês atrás. Virou fácil meu prato preferido da rede. Depois fomos bater perna no SoHo, rir de piadas e tirar fotos de uma espécie de pocket show na rua, tiozinhos de sobretudo preto tocando Steppenwolf em frente ao Palace Theatre fechado. Tinha um japinha muito louco dançando ao som dos caras, jogando braços e pernas para todos os lados, quase em transe. Todas as fotos que fiz dele saíram borradas. Senti uma inveja gostosa. Pelo menos naquele instante nossas vidas tinham muito em comum.

Na segunda encontrei Respectivo em Piccadilly e fomos almoçar num restaurante de frutos do mar. Totalmente não a minha praia, mas comi um espaguete ao molho vongole espetacular. Depois fui à Selfridge's com Renata, onde fomos fuçar coisas belas e caras. Me apaixonei por uma sandália dourada da Prada e uma bolsa laranja da Mulberry e quase comprei a infeliz. Ainda mais quando descobri que a atendente loirinha, além de simpática, era brasileira. Respirei fundo, contei até mil e saímos da loja, mas aquela bolsa pode acabar sendo minha um dia.

Fomos para o Sadler's Wells Theatre em Islington na esperança de achar um cambista vendendo ingressos para o show do Mika. Quer dizer, Renata foi. Eu fui de acompanhante, mas como sempre acontece quando me vejo diante de um monte de gente animada diante da entrada de um show, me animei a entrar também. Sorte das sortes: conseguimos um par de ingressos para sentarmos lado a lado. Esse aí era o meu:


Ter entrado foi uma excelente idéia e eu me surpreendi positivamente; a banda de abertura, Blue Roses, era uma delícia (uma mistura de Catatonia com Kate Bush), e eu acabei comprando o CD no stand de merchandinsing. Quanto ao Mika, eu já sabia que o rapaz era dono de uma puta voz, mas não acreditava que fosse tão boa ao vivo. Como bem diagnosticou a Rê, ele estava "ligado na tomada"; magrinho e elétrico, quase uma versão branca e british do Lacraia. Orquestra no palco, "chuva" de papel picado prateado, duo com melhor amiga ao som de "Happy Ending". Performance incrível, que terminou com o palco cheio de fãs pulando e um careca dançando com um crocodilo inflável.

Ontem acordei tarde e fui para a TopShop comprar casaquinhos e saí de lá com bijouteria, calcinha, caneca, fofices de papelaria da Artbox e o casaquinho pink neon que a Renata usou na segunda e que eu cobicei horrendamente. Encontrei Flávia em Oxford Street e fomos comer coxinha de galinha com guaraná Antarctica num boteco brasileiro perto de Tottenham Court Station, e depois tomar Haagen Dazs sentadinhas em Leicester Square.

Às sete da noite começou a greve estúpida do metrô, assistimos a uns dez minutos de uma manifestação bastante barulhenta de motociclistas protestando contra a cobrança de estacionamento para motos no centro de Londres e eu então me enfiei no 38 para Victoria Station e de lá no 36 para casa.

Hoje passei o dia na cama porque a) chovia, b) não havia metrô e c) eu não tinha um roteiro planejado. E d) eu estou meio puta porque são quase uma semana aqui e, apesar de ter feito muitas coisas legais que eu não esperava ter feito, não fiz absolutamente nada do que pretendia fazer.

Ainda há tempo; só não há metrô.

E eu odeio essas entries longas e descritivas.

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