sou eu. amanheci o dia grudada à vassoura novinha que o respectivo trouxe de presente ontem à noite. ele não é um amor??
well, não. dar uma vassoura de presente à sua esposa é uma mancada tão passível de enforcamento quanto comprar para ela uma esteira de ginástica. e ele cometeu os dois crimes. só escapa da pena capital porque, nas duas vezes, fui eu quem pediu.
eu já disse que detesto serviços domésticos? pois eu detesto serviços domésticos. lava-louças, máquina de lavar (e secar) roupa aliviam em muito o fardo, é verdade. mas o que seria de mim sem a minha querida maria, a portuguesinha que, todas as sextas, vem à nossa casa por duas horas e, além de passar a roupa (prefiro promover uma sessão de leitura dos versos satânicos numa mesquita afegã do que passar dez minutos digladiando-me com uma tábua de passar), também ajuda na limpeza? ô, que saudade da maria!!
mas enfim. uma das várias coisas que amo lá em casa é o fato de ela ter sido projetadapara dar o menor trabalho possível:
nos banheiros, tinta nas paredes. azulejo, só quando necessário (ou seja, dentro do box). no chão dos banheiros, piso de vinil. sem ranhuras onde sujeirinhas se escondam, cresçam, multipliquem, desenvolvam inteligência e passem a brigar comigo pelo controle remoto e exigir queijo brie no café da manhã. basta passar um pano molhado duas vezes por mês e pronto.
na cozinha, nada de azulejos, também. as bancadas são de madeira (ao invés de mármore ou aço) e eu passei danish oil por cima: não mancha, não fica "fosco", marcas de dedo ou água escorrida não aparecem. cozinhamos numa AGA, ou seja, facílima de limpar (e ainda deixa a cozinha quentinha no inverno). nada de "grades" de fogão pra limpar também, já que o único fogão propriamente dito na casa é elétrico. nenhum dos armários da cozinha têm um "embaixo" ou "em cima". ou seja, nada de subir em banquinho para tirar teias de aranha e três metros de poeira de cima de armários, nem grudar o meu lindo umbigo no chão para limpar podreira debaixo dos ditos cujos.
na sala não existem tapetes. detesto tapetes, carpetes e similares, só servem para acumular pó e manchas que vão exigir a operação especial "lavagem de tapete". só um pequenino de pele de ovelha, bem fofinho, em frente à lareira - cuja utilidade é mais funcional que decorativa: serve para absorver eventuais fagulhas e evitar que a casa pegue fogo. o chão é de madeira, ou seja, fácil de limpar, também.
nos quartos... bem, foi a única concessão que fiz. aceitei carpetes no nosso quarto e no quarto vago onde ficam as nossas roupas (mas detesto passar aspirador de pó, detesto, detesto). "ah, mas o chão fica quentinho", diz ele. puá! nesse hemisfério, no inverno, NADA fica quentinho. as verdadeiras soluções para evitar pés congelados são meias de lã (mais barato) ou aquecimento central por baixo do piso (caro, mas delicioso). mas nos outros quartos é piso de madeira e acabou-se.
já aqui eu me conformo com a sina de bancar a bruxa em pleno halloween e me dependurar na vassoura. porque nessa gaiola tudo parece ter sido milimetricamente planejado para dar o maior trabalho possível. ÓDEO.
"Bergen-Belsen, por vezes chamado apenas de Belsen, foi um campo de concentração alemão da era nazista. Localizava-se no atual estado alemão da Baixa Saxônia, a sudoeste da cidade de Bergen, próximo de Celle.
Entrou em funcionamento em 1940 como campo para prisioneiros de guerra. Depois de 1941, cerca de 20.000 soldados soviéticos foram torturados e mortos no campo. Mais tarde, em 1942, Bergen-Belsen tornou-se um campo de concentração; as SS tomaram o comando em Abril de 1943.
Não havia câmaras de gás em Bergen-Belsen, uma vez que os assassinatos em massa deveriam ocorrer nos Campos de Extermínio (Vernichtungslager) do Leste Europeu; no entanto, milhares de judeus, homossexuais e ciganos foram ali torturados ou morreram de fome. Em 1945 os prisioneiros de outros campos foram levados para as linhas de frente, uma vez que os soviéticos avançavam.
Em condições de superlotamento, de doença e mal nutrição, houve muitas mortes. Foram cavadas grandes valas. Quando as tropas britânicas libertaram o campo em 15 de Abril de 1945, eles encontraram milhares de cadáveres por enterrar.
Grande parte de Bergen-Belsen foi destruída após a libertação, com receio de tifo e dos piolhos.
Cerca de 70.000 pessoas morreram em Bergen-Belsen. Entre elas conta-se Anne Frank e a sua irmã Margot, que morreram ali em Março de 1945.
Hoje, o campo está aberto ao público, e contém um centro de visitantes e uma "Casa do Silêncio" para reflexão. Foi construído um grande obelisco." (fonte)
eu publiquei essa história há dois meses atrás no livejournal, quando voltei de férias. como acabei resolvendo fechar o livejournal com senha, a história não está mais disponível, e eu achei uma pena porque gosto muito dela. eis a razão para que ela esteja fazendo uma segunda aparição (me perdoem os que já leram).
No final dos anos 60, um menininho inglês passava as férias escolares com a família na Europa. Seus pais estavam a caminho do pier de Estocolmo, de onde embarcariam para a Finlândia (ou seja, um trajeto bastante similar ao que eu mesma fiz). Os olhos do menino percorrem a paisagem plana e monótona da escandinávia e, no bolso da jaqueta, como sempre, seu carrinho de brinquedo favorito, companhia constante de viagens que ele carinhosamente chama "boot car" (porque se podia abrir o "boot", o porta-malas na parte de trás).
Numa dessas paradas para café e xixi, o menino esquece o carrinho querido num banheiro qualquer de beira de estrada. Infelizmente todos estão atrasados para pegar o barco e não podem voltar para procurar. Uma semana e muitas lágrimas depois, a família já de volta à Suécia retorna ao mesmo restaurante mas, como era de se esperar, ninguém sabe do carrinho. Não está mais lá. Certamente perdido para sempre. Mas não da memória; mesmo com o passar dos muitos anos, o menininho nunca esquece o seu Boot Car. Mais tarde tenta comprar um parecido, mas a empresa, Corgi Toys, não existe mais.
Quase 40 anos depois, ele está novamente de férias na Suécia. Sua esposa, viciada em tralhas, é atraída pela vitrine de um legítimo bric-a-brac europeu. A loja é uma bagunça formidável, não se encontra nada que não esteja coberto por pelo menos dois centímetro de poeira antiga, nada tem preço e tudo se encontra amontoado em pilhas pelos cantos. Por todo o lado há resquícios de antigas repúblicas socialistas, miniaturas de bustos de lênim, bandeiras da antiga União Soviética. Um velho sentando no fundo da loja a olha com uma cara de pouquíssimos amigos e ela, intimidada, resolve sair de fininho. Ele, que havia ficado do lado de fora fotografando prédios, vem em sua direção e os dois param em frente à vitrine enquanto ela reclama da antipatia do vendedor.
É quando ele aponta para algo no fundo da vitrine.
Yep, happy endings não acontecem só no cinema. (o carro foi entregue embalado num guardanapo do... McDonalds. Sim, Mr. Antipatia - muy socialista de sua parte...)
Mas isso não importa. O que importa: Boot Car voltou para casa.
o dia iluminado que faz hoje (só porque reclamei na sexta) e levar o percival para tomar sol na varanda.
ontem foi o último sábado antes do halloween. as lojas desesperadas para vender o resto do estoque de caveiras de plástico, gatos pretos de pelúcia, teias de aranha fake e lanterninhas de abóbora made in china. no extrablatt, onde entrei para esquentar meus dedos em volta de uma xícara do melhor capuccino da cidade, as garçonetes loiríssimas e chiquérrimas montavam aquelas pulseirinhas com líquido fluorescente colorido dentro para dar de brinde aos clientes. fui embora antes que minha vez chegasse.
eu acho halloween terrivelmente brega. mais uma das várias cafonices que a europa importou dos americanos. por sorte a coisa aqui acontece numa intensidade infinitamente menor do que lá. no fundo acho que apenas as lojas insistem - a maioria das pessoas não está nem aí para esse terrorzinho fantasia. afinal, já temos tantas bruxas de carne-e-osso com que lidar na vida... acho que não precisamos das imaginárias.
(mas eu confesso: adoro fazer a cara do jack numa abóbora bem grande)
e, como domingo é dia de feira:
"are you going to scarborough fair? parsley, sage, rosemary and thyme remember me to one who lives there she once was a true love of mine."
é a escuridão do inverno, e não o frio, que faz com que tanta gente se mate na escandinávia. eu nem estou exatamente lá, o inverno ainda nem começou, mas já estou olhando com segundas intenções pra janela.
é mais ou menos assim: você acorda cedo, coça a bunda, olha pela janela e pensa "hm, tá escuro ainda, seis horas da manhã" e volta a cair no travesseiro.
dali a duas horas você acorda pra valer (ou não), pula da cama (ou não...), olha pela janela e pensa "tá meio escuro ainda, oito da manhã" e vai lavar a remela do olho. ou não.
passa-se a manhã, você no trabalho ou em casa curtindo um tanque ou, no meu caso, coçando a bunda (de novo) e, de repente, seus olhos vão parar na janela. "porra, meio dia!! essa merda não vai clarear não??" e vai arrumar alguma coisa pra comer.
no meio da tarde, você já pirando pra sair do trabalho ou, no meu caso, já pensando na janta, dá de cara com a maldita janela de novo. você NEM SABE porque ela está ali, já que luz mesmo não entra nem fodendo. "vem cá, vai ser seis horas da manhã o dia todo???". sim, vai. e você sabe disso. só reclama por força do hábito. ou porque a alternativa seria usar a janela para outros fins, ou seja, atirar-se dela.
e, antes que a tarde comece a terminar, algum filhodaputa lá em cima mete o dedo no interruptor e pronto, fez-se as trevas. ou seja, o dia inteiro você olha pela janela e... são seis horas da manhã. até escurecer de vez e virar meia noite.
a solução? relaxar, ver dvds, escaldar-se na banheira, encher o rabo de comida (antes gorda que suicida, né?), pensar no lado bom do outono/inverno (árvores coloridas, neve, sair de gorro de lã, sobretudo e luvas coloridas para beber vinho quente com especiarias, natal, etc) e lembrar que, se eu estivesse no brasil, a essa hora estaria reclamando feito louca do calor maldito e berrando a quem quisesse ouvir que "o inferno é aqui e agora!"
porque eu desonro a minha heritage ao confessar que detesto calor, sol quente demais, praia cheia de farofeiros e marombadinhas com biquini enterrado no rabo, marombadões jogando futevôlei, ônibus lotado na hora do rush fedendo a cecê acumulado e toda essas idiossincrasias do paraíso tropical. sinceramente, depressão sazonal só me pega em janeiro no brasil.
fiz até uns muffins/cupcakes, olha só que prendada.
descontando-se o fato que quebrei o dedão do pé quando um muffin caiu em cima dele, até que ficaram bonitinhos, não? por favor, relevem minha falta de talento em decorá-los. eu comi metade da decoração enquanto esperava os bolos assarem, e acabei ficando meio sem opção, sabe.
ah, e essa "luz" na foto não tem na-da de natural. gastei uma hora fazendo os bolinhos e quatro horas no photoshop a fim de que vocês conseguissem ver alguma coisa (sim, eu amo os meus amigos tanto assim).
esses são os "sapatos" de couro (para usar em casa, diga-se) que eu encontrei na nanu nana por 4 euros e estão salvando meus pés do frostbite. sim, feios até dizer chega, mas dedos azuis também não são stylish, baby.
hoje está impossível, realmente. consegui pôr fogo numa panela onde boiavam frikadellers. esqueci no fogão por, tipo, DEZ SEGUNDOS. quando me virei, o espetáculo pirotécnico era lindo - as labaredas já estavam quase no teto.
fiquei tentada a ir buscar a câmera e fazer uma foto, mas o instinto de sobrevivência falou mais alto e, ao invés de câmera, peguei um balde d'água e arremessei em cima de tudo. água, óleo e bolinhos de carne se espalharam pelo chão da cozinha feito crianças pelo pátio quando toca a sineta do recreio.
fora que PICOTEI meu journal de colagens em mil pedaços porque há milênios não saía absolutamente na-da que prestasse dali, o que vinha me deixando chateada (dói admitir falta de talento, sabe). pensei até em pôr fogo em tudo, porque esses rituais de queima e destruição me purificam e acalmam. mas aí me lembrei de que estou num a-par-ta-men-to e que... bem, chega de chamas por hoje, né??
enfim... é chegado o momento de assumir a minha condição: sofro do "mal de multitarefas". quero fazer mil coisas, testar mil coisas, começar mil coisas, e nunca termino uma para começar a outra. resultado: ansiedade, falta de paciência e mil coisas terminando em mil pedacinhos beeeeem pequenos dentro da minha lixeira. ou mil bolinhos de carne espalhados pelo chão da cozinha.
e, antes que eu resolva cortar meu pescoço em mil lugares diferentes, vou parar tudo, respirar fundo, fazer uma xícara bem grande e alta de chocolate quente com cointreau e tentar me lembrar, só por hoje, que nem sempre QUERER fazer mil coisas significa TER que fazê-las.
posso, por exemplo, apenas admirar o talento alheio:
para terminar, uma leitura calma e uma idéia inspiradora (estou mesmo precisando, hoje): 3 for 365, um blog onde julia, a autora se propõe a registrar, todos os dias, pelo menos três coisas boas. "não importa o quanto o dia tenha sido ruim - e sim, em alguns dias é realmente complicado! - eu irei documentar algo de bom. um exercício de pensamento positivo pessoal", diz ela.
se eu escrevesse um blog assim, hoje o meu saldo iria ficar no vermelho... ou não. afinal, achei essas coisas lindas no etsy, o blog da julia e agora vou fazer minha xícara de choc... MEU DEUS! ESQUECI DE DESLIGAR O FOGO!!!
há um ano atrás ele se chamava ian, pesava 100 quilos, tinha 35cm de bíceps e era capitão do regimento de paraquedistas britânico. hoje ela se chama jan, essa gata de 70 quilos e tamanho 42.
o antes:
"durante toda a minha vida eu lutei contra a idéia de ser diferente. fiz tudo o que pude para me transformar no ideal de homem durão. cheguei a pensar que tinha problemas psicológicos por não estar satisfeito com o que tinha. fiz terapia para resolver a minha confusão - o que havia de errado comigo? por que eu não conseguia ser feliz com a minha imagem? a resposta era simples, e as consequências, devastadoras; o único caminho para a felicidade seria me tornar a mulher que eu sempre quis ser." matéria completa e mais fotos no link do daily mail.
coisa de weirdo? psicopatologia? maybe. o fato é que essas histórias me tocam porque, se já considero difícil ser feliz num corpo que não me parece perfeito, se já deprimo quando preciso sair de casa em pleno bad hair day, imagine o desespero de passar uma vida inteira simplesmente não se reconhecendo na frente do espelho. coloca as coisas em perspectiva para muita gente, não?
agora, análises "profundas" à parte, alguém me passe o telefone desse cirurgião ontem?
não que eu esteja interessada em encomendar um pomo-de-adão, peito cabeludo e um chouriço balançando no meio das pernas (nem mesmo se quiserem reciclar o bilau rejeitado do ian), mas se é possível transformar um neanderthal nessa deusa (ok, os traços masculinos continuam, mas vocês não estavam esperando a hepburn, estavam?), então EU AINDA TENHO ESPERANÇA, minha gente.
último dia em jersey. hoje à noite voamos para londres e amanhã cedo, de volta para a gélida hannover. e para o apartamento que, apesar de não ser exatamente pequeno, me parece claustrofóbico.
agora que o verão terminou, me arrependo de ter feito tudo errado na alemanha. eu poderia ter feito mais caminhadas. poderia ter ido pelo menos mais UMA vez passear no eilenriede, um parque imenso que fica a apenas três quarteirões do apartamento. poderia ter saído do quarto, da frente do computador e ido comprar cogumelos frescos nos mercados de rua, poderia ter fotografado as abóboras coloridas e flores em vasos de cerâmica artesanal, assistido a mais programas da tv alemã (mesmo sem entender nada), aprendido a pelo menos xingar no idioma de goethe, comido mais chucrute, conhecido mais, aproveitado mais além do circuto cama-pc-mesa-compras.
mas sinto que esses quatro meses passaram em pálidas cores. eu estava ocupada demais lamentando não estar em jersey para prestar atenção na alemanha e ter sido grata pelas chances que tive. de ampliar os horizontes profissionais do british boy. de ter enfim podido trazer a minha gata para viver comigo. de estar vivendo em outro país, imersa numa outra cultura que, apetecível ou não, tinha tanto a me ensinar; e sinto que aprendi tão pouco.
mas ainda temos três meses. onde provavelmente vai fazer muito frio (muito mais do que eu já experimentei na vida), a neve vai cobrir as calçadas e telhados, os mercados natalinos de rua me farão engordar alguns quilos e o meu 25 de dezembro será branco. se eu não puder celebrar e ser grata por isso, então eu sou uma estúpida profissional. *corre para a h&m e refaz o estoque luvas de lã coloridas*
ontem, despedindo-me da ilha (que começa a se preparar para o inverno):
because cats are not vegetarians:
bonus photo da responsável pelas fotos (a olympus...) e do dedo que aperta o shutter:
porque ontem eu fui dormir pensativa e um pouco triste. porque existem certas coisas, imateriais, simples e necessárias, que eu jamais terei. coisas que me serão para sempre negadas, e talvez eu jamais venha a entender o porquê.
mas isso foi ontem.
e hoje é o dia de parar de buscar, inutilmente, respostas que não podem ser dadas. e de simplesmente aceitar, com gratidão, tudo o que tenho.
so you must not be frightened if a sadness rises up before you larger than any you have ever seen; if a restlesness, like light and cloud-shadows, passes over your hands and over all you do. you must think that something is happening with you, that life has not forgotten you, that it holds you in its hand; it will not let you fall.
Afinal de contas, todo mundo já foi adolescente, entrou em crise, entrou em conflito com os pais, se apaixonou por alguém que nem sabia da sua existência, brigou com professores, se identificou com professores, e, se você era um adolescente com personalidade, tentou fugir da massa de carneirinhos que se forma na escola, com todo mundo usando tênis iguais, roupas iguais, gírias iguais, comportamentinho excludente para com as outras turmas e toda aquela babaquice que, se você pensar bem, continua na vida adulta. Eu, bom... Eu queria ser eu. E consegui.
ou não. porque eu ia fazer um post sobre a final do rugby hoje, inglaterra e áfrica do sul, sobre como a inglaterra começou desacreditada e acabou chutando a frança para fora da competição, sobre como, apesar de eu ser brasileira e, portanto, detestar argentinos*, estarei torcendo por eles hoje contra os frogs. porque só existe uma coisa melhor do que chutar a frança, e esta coisa é "chutar a frança de novo".
ia também fazer um post sobre o grand prix de F1 de amanhã no brasil, sobre a possibilidade do lewis hamilton ser campeão mundial no seu ano de estréia (fato inédito na história da fórmula 1), sobre eu estar torcendo por ele porque o moleque pobre, cujo pai teve que ralar em dois empregos para financiar o filho nos tempos do kart, merece seu dia de glória - e também porque as duas outras opções de vencedores são um finlandês antipático e um espanhol... bem, espanhol.
faria, mas não farei. porque ficar ruminando notícias não é a minha praia. deixo essa tarefa para 99% dos blogs pop da atualidade - aqueles mesmo, que eu não gosto de ler.
* por que eu detesto os argentinos? eu não detesto ninguém**; apenas brinco com o clichê porque, como eu sempre digo (e ninguém admite), clichês podem ser divertidos. ** ok, ok - talvez eu deteste os franceses. mas me absolvo porque, afinal, todo mundo detesta os franceses; inclusive os franceses.
almoço de sábado no le brasserie: sausages and mash + a pint of beer. mais british que isso, só se repetir o prato (o que eu não fiz) ou a cerveja (o que eu sempre faço).
é especialmente interessante fazer isso no le brasserie, que não é um pub, mas um café levemente metido a besta, popular com as "ladies who lunch", ou seja, madames desocupadas que se reúnem para "almoços de senhoras" no meio da semana. e que, horrorizadas, me observam beber 1-3 pints enquanto sorvem delicadamente o chá de suas xícaras ou a água das garrafinhas de san pellegrino com limão. uma delas chegou a balançar a cabeça e me lançar um olhar desaprovador - rapidamente desviado para a parede quando percebeu que eu a estava observando também.
adoráveis, essas senhoras, fofas em seus sapatinhos cafonas de avó comprados no saldão da clark's, blusinhas com golas vintage rendadas (e amareladas, e babadas), cabelos de algodão doce delicadamente arrumados em coques estilo anos 40. adoro bater com a minha bolsa (sempre pesada, já que carrego meus livros e câmera para todo o lado) em suas idosas cabeças quando estou de saída, desfazendo coques, quase jogando-as, pelancas and all, no chão do restaurante, na esperança de enfiar algum senso nos respectivos cérebros, antes que sejam comidos pelo alzheimer.
cuidem-de-suas-próprias-vidas. eu geralmente só cuido da minha - a menos que esteja entediada, é claro.
entediei-me, portanto. e passei a observar a típica família sentada à nossa frente. papai de camisa xadrez e cara de pastel, mãe com pose de dondoca mas usando aquelas saias cafonérrimas da coleção retrasada da marks & spencer (panos coloridos e 300 flores mal feitas de feltro pregadas por todo o lado, gritando de tão brega), casal de filhos pequenos, hiperativos e grudentos. a garota, de uns cinco anos, se comportava feito um bebê, embora já fosse velha demais para isso. exigia ficar no colo da mãe, chutando o ar e fazendo gugu dadá. totalmente insuportável.
minha vingança é que ela era ruiva. ou seja, vai apanhar HORRORES dos "coleguinhas" quando começar na escola. nota: ser ruivo aqui no reino da lilibeth é crime. a piada mais famosa sobre os livros do harry potter é que "todos sabem que a história é ficcional, porque o personagem ruivo tem dois amigos"
e então o pedido deles chegou e eu ganhei a aposta que havia feito com o british boy: adivinhei o que eles iriam comer! a saber:
papai = bife + cerveja mamãe = salada + água com gelo e limão (oh-so-healthy-and-diet) filhos = batata frita + aquela porcaria de ribena, porque "coca cola não é saudável" - como se batata frita fosse...
que gente mais previsível, meo deos. é claro que os pirralhos não desgrudaram das tetas, cabelo, barriga e braços da mãe o almoço inteiro, e ela só conseguiu comer metade da salada. assim é fácil conseguir ser magra, mas nem assim era ela, porque estava descaradamente roubando batatinhas do prato das crianças.
minha dieta é trocar a sobremesa por um expresso com adoçante + uma boa dose de maledicências. ;)
resultado da pendenga com a imigração: positivo. não serei enfiada à força dentro de uma mala vagabunda da le postiche e embarcada (sem bilhete de retorno) no setor de carga de um vôo da british airways de volta para o subúrbio carioca.
mas eles também não me deram a extensão do visto temporário. TOPARAM DAR O VISTO DEFINITIVO!
é isso aí - na próxima segunda feira levarei meu passaporte para ganhar o carimbão fodão. infelizmente o passaporte em si ainda não é "o" fodão. somente daqui a um ano poderei entrar com o pedido de cidadania, fazer juramento diante de uma foto assustadora da lilibeth e embolsar um passaporte de outra cor que vai reduzir o tempo gasto com filas (e explicações) nos aeroportos.
além disso, poderei programar uma viagem à bushland com mais tranquilidade - e sem precisar passar pela paranóia que é conseguir um visto yankee. se eu vou querer fazer tal viagem é uma outra história.
e antes que as senhoras dignas-de-família-limpinhas-não-chupo-e-nem-engulo comecem a me chamar de "maria passaporte" e dizer "viram só? ela só estava interessada no visto, nem mencionou que agora poderá viver para sempre com o amor da sua vida, blá, etcetera", gostaria de lembrá-las que, num (bastante improvável) caso de retorno para o brasil, é evidente que o "amor da vida" viria comigo. no questions about it. ou seja, eu sempre soube que, independentemente de visto, eu viverei com ele até que nossas escovas de dente possam virar artigo de museu. até aí, sem novidade.
a boa nova é poder, finalmente, chamar de lar o lugar que, ao longo dos últimos três atribulados anos, e depois de muitas lágrimas, ranger de dentes, palavrões e encantamento, eu aprendi a ver como o meu lar.
(eu usei o termo "bean" (feijão) no título porque é assim que os nativos daqui de jersey são carinhosamente chamados)
e a BBC publicou uma enquete: "como saber se você está se transformando num bean?" abaixo, colhidas por mim, as opiniões mais hilárias do pessoal (obviamente exageradas para elevar o teor cômico, mas nem por isso menos verdadeiras):
você sabe que está virando um jersey bean quando: - vive reclamando do preço dos imóveis (embora londres seja tão ou mais cara); - vive reclamando dos engarrafamentos no verão (embora o sul da inglaterra seja muito pior); - vive reclamando dos impostos (embora a inglaterra cobre o dobro); - tem um bronzeado falso o ano inteiro e usa óculos escuros até de noite; - paga 100 mil libras num carro que faz 320 km/hora para dirigir numa ilha onde a velocidade máxima é de 65 km/hora; - percebe que a lista telefônica tem 500 páginas mas apenas 40 sobrenomes diferentes (e todo mundo parece seu primo). - estuda numa classe com 36 alunos e pelo menos 30 deles são seus parentes; - mora a um quilômetro do trabalho mas dirige ao invés de andar, gastando meia hora a mais por isso e reclamando do engarrafamento; - antes lia jornais como o telegraph e se interessava pelos eventos mundiais; hoje em dia lê o jersey evening post e entra em pânico ao saber que o preço do peixe aumentou; - não aceita que crianças façam barulho, que adolescente ouçam música alta ou andem de skate, reclama da fumaça da churrasqueira do vizinho, reclama dos turistas com a cara colada na janela da sua sala, reclama do latido dos cachorros, nunca faz porra nenhuma e espera que todos sejam iguais a você; (senti MÁGOA nessa declaração!) - esquece qual é a função do acelerador no seu carro; - devolve o troco quando lhe pagam em dinheiro da "outra ilha" e exige dinheiro de jersey (embora as notas de guernsey sejam aceitas normalmente); - começa a torcer pela frança ao invés da inglaterra no futebol, embora o seu passaporte afirme que você é britânico; - apóia a idéia de transformar as famosas "obras na estrada" de jersey num esporte olímpico para as próximas olimpíadas de inverno; - sabe que pode encontrar chocolate fudge em todas as lojas, até açougues; - desenvolve ódio mortal por turistas dirigindo carros alugados; - tem a imagem de uma vaca nas notas dentro da sua carteira; - pensa que trens são coisa do passado; - acha que tem sorte se consegue sintonizar mais de três canais na sua tv; - paga mil libras por mês para morar num conjugadinho de fundos; - bebe um leite mais grosso que creme de leite e que é capaz de bloquear artérias só com o cheiro; - não consegue andar mais de 15 quilômetros em linha reta sem cair na água; - fala "eh" no final de cada frase; - considera um trajeto de 20 minutos no carro "uma viagem"; - reclama de turistas espantando as gaivotas e tirando fotos de tudo mas também reclama que a indústria turística esteja morrendo; - vive no lugar mais bonito do mundo e tem total consciência disso. :)
"why is a jerseyman happy when he sees a red sky at night?" "because he thinks guernsey is on fire!"
tarefinha ingrata para amanhã, às onze: ir pedir penico no setor de imigração de jersey.
explicar que, devido à senzala de escolha do Respectivo, não, eu não vou estar aqui em dezembro quando meu visto temporário (e já renovado uma vez) expirar. e não, eu não consegui simplesmente me casar e passar dois anos seguidos com a bunda colada num sofá do reino da lilibeth, comendo fish and chips e assistindo reprises de relocation, relocation.
em outras palavras, eles podem se encrespar e chutar o meu traseiro size 12 de volta pra selva. em mais outras palavras, foda-se.
nunca pensei que ceder um passaporte fosse assim tão problemático. mas isso, claro, é porque estamos fazendo as coisas direito, às claras.
porque, como a inglaterra é um país fofo, comunista wannabe e compreensivo para com as minorias, se eu tivesse vindo de alguma ex-colônia esgoto com um pano amarrado na cabeça e trinta e cinco filhos sem pai enfiados numa caixa de papelão (todos com menos de dois anos, devidamente deprimidos e portanto incapacitados para o trabalho), talvez já tivesse passaporte, cidadania e um flat gratuito em camden, presentinho do governo.
vontade: mandar esse povo enfiar o sacrossanto passaporte bordô da comunidade européia em seus respectivos cus, voltar pro brasil, desbundar, comprar uma casa em lumiar e me dedicar a cultivar repolho e criar bodes miniatura.
pelo menos por enquanto meus pés relaxam em casa.
AH, esqueci de contar sobre o funcionário do passport control do aeroporto de hannover, quando estávamos vindo para cá.
quando o vi descendo porrada verbal num neguinho de "meio metro e meio" de altura vestido com um terno verde (!) e carregando malas modelo 1940, eu SOUBE. soube que ele devia ser um desses chucrutes amantes das regras e formalidades, desses que espera dez minutos para o sinal fechar antes de atravessar a rua, sendo que NÃO HÁ CARRO NENHUM NUM RAIO DE 3 QUILÔMETROS. i'm not making that up. não estou inventando - EU VI chucrutes fazendo isso.
enfim. quando chegou a minha vez e ele bateu o olho no meu passaporte verde musgo, e em seguida na minha face marrom... vocês precisavam ver a cara da pessoa. era uma cara bem "oh que delícia outra vadia do quinto mundo caçadora de marido europeu espero que o visto dela tenha expirado assim eu poderei chicoteá-la por meia hora antes de mandá-la de volta para a favela de onde ela saiu". o que é a eloquência de um olhar, não é mesmo, minha gente?
mas o meu visto não havia expirado - ahá! a parte chata: eu nem mesmo tinha um. yay.
então o nazistinha quis provas de que eu era, de fato, casada com o Respectivo. ah, claro, eu totalmente ando com cópias da certidão de casamento na bolsa para a eventualidade de um funcionário de bosta resolver me cobrar explicações sobre o meu estado marital - quando eu estou DEIXANDO o país dele.
a coisa ficou tão bonita que o caga-regras, sem nos avisar, mandou chamar a polícia. eu lá, linda e preta, totalmente posh beckham nos meus sapatos de 5 euros comprados na street shoes, resolvo me virar e WOOHOO, a gestapointeira atrás de mim.
aiquemoção, morryh (espero que as câmaras de gás modernas tenham tv a cabo, wi-fi, ar condicionado e frigobar com biscoitos e sekt geladinho- tudo bem kosher, naturalmente).
mas não. só me levaram pro canto e, depois que eu jurei em alemão arcaico que apresentaria a certidão de casamento na volta (já que eu teria que voltar anyway), eles concordaram em me dar apenas três bordoadas na cabeça - ao invés das 30 que estavam programadas - e um pedaço de algodão pra estancar o sangue.
estou feliz por não existir um Inferno, porque sem dúvida eu iria direto para lá por criar versões horríveis para aquela música que o Eric Clapton fez para o filho morto, "Tears in Heaven":
Did you scream my name When you fell out the window? Would you look the same After you hit the pavement?
chegamos em casa no domingo à noite para passar a semana. ele a trabalho, eu respirando aliviada por poder me livrar, ainda que temporariamente, daquela gaiola asquerosa onde me escondo na baixa saxônia. detesto apartamentos porque detesto vizinhos. detesto o retardado imbecil do andar de baixo que fica ouvindo música techno até meia noite e detesto o casal de elefantes que mora no andar de cima - sim, porque eles só podem ser elefantes para fazer tanto barulho simplesmente andando.
o silêncio do meu quintal, quebrado apenas pelo ruído de um trator ao longe, o ocasional berro dos faisões e magpies, um esquilo mudando de galho ou simplesmente o vento nas folhas das árvores... explicar está muito além da minha pouca fluência. passo os dias sentada no jardim respirando a pureza do ar e deixando meus olhos se perderem ora na grama, ora no céu azul, ora nas últimas flores que nascerão esse ano.
minhas encomendas de livros e DVDs na amazon UK chegaram em UM dia. aprendi que jogar cointreau no chocolate quente o transforma em uma outra experiência, ainda melhor do que a habitual.
2. comprei pantufas. a velhice definitivamente manda lembranças. e um futuro de incontinência urinária e dentaduras não me parece, a partir de hoje, tão distante.
3. acabo de chegar do Jack The Rippers onde almocei uma sopinha de tomate com mozzarela maravilhosa. saudável, não? vamos ignorar as duas taças de vinho e os dois pacotes de batatinha frita que compuseram a "sobremesa".
ao fundo, berros e urros e mais berros e mais urros. tipo, trezentos milhões de decibéis estourando meus delicados tímpanos. um grupo de pós-adolescentes ingleses "conversando" e "comentando" o jogo de futeba que iriam assistir mais tarde - isso foi o máximo que consegui entender durante as duas horas que passei no pub, já que 90% dos urros dos "rapazes" era absolutamente ininteligível.
ingleses advindos das classes trabalhadoras são muito mais agressivos e desagradáveis do que o típico favelado "churrasquinho de asa + banho de mangueira + piscina na laje" brasileiro. aliás, confessando minhas "suburban roots":
- adoro um churrascão de domingo (ok, odeio asa de galinha - aquela porra só tem pele e osso - mas se rolar linguicinha, tô na área!) regado a pagode de raiz; mas se for exaltasamba eu só preciso beber mais um pouco até chegar ao nível de abstracção de sons.
- adoro cerveja de um real (desde que não seja bavária ou polar. essas aí não descem, sorry periferia);
- adoro quando eles falam "mamãe tá ti chamano" ou "a gente vamo no baile hoje" ou "já é". acho uma gracinha - não estou sendo irônica, de verdade; o léxico proletário me encanta.
mas aturar barbados de mais de 30 anos, que supostamente tiveram acesso a boas escolas, cresceram num país que deu ao mundo a BBC e o led zeppelin, vestindo camisetas do manchester united e urrando feito atores de filme pornô na hora do "money shot" NÃO REGISTRA.
li uma matéria sobre o livro da bonnie fuller na tpm, aquela revistinha que paga de moderna, mas que no fundo só sabe repetir as mesmas pautas da bosta da capricho - só que com uma linguagem indie e referências à onipresente "cultura pop".
as dicas da tal bonnie parecem ter mesmo a intenção de transformar a vida das leitoras numa espécie de "quartel feminino 24 horas". i'm not interested porque sou uma vagabunda em tempo integral e minha única ambição na vida é comer biscoitinho na frente do pc assistindo a filminhos pornôs cafona dos anos 70 e rindo até cuspir farelo no teclado.
mas em compensação também me enche um pouco o saco esse pessoal que espera que toda mulher se encaixe candidamente no estereótipo "meiguinha, docinha, simpatiquinha e fragilzinha".
sim, eu jogaria esse livro no fogo, mas também transformaria em lenha qualquer outro que insista nesse clichê ridículo de que toda mulher é o sexo doce, coloca a maternidade e as relações sociais acima de qualquer coisa, exercita mais o lado direito do cérebro, blábláblá (e que as mulheres que não se encaixam no padrão são estranhas, masculinizadas ou simplesmente bruxas meméias).
um das leitoras da revista, chamada "táia" (o nick fala com mais eloquência do que eu poderia, mas desenvolvo assim mesmo), após minunciosa leitura do artigo, botou tico-e-teco pra fazer hora extra e brilhantemente concluiu que a autora bonnie fuller "deve ser feia, mal comida e mal sucedida, pra escrever uma bosta dessa."
querida "táia", na vida a gente faz opções. difícil ser isso tudo bancando a "docinha", arranjando tempo pra discutir episódio de heroes com a secretária, mandando emails cheios de fotos de bichinhos/bebês com mensagens edificantes pros subalternos ou fazendo bilubilu, bruuu, bruuuu pro bebê caçula. detalhe é que homens podem se dedicar 1000% ao trabalho e serem "pais de fim de semana" numa boa e não se diz uma palavra contra eles.
e quanto ao indefectível "mal comida"... puta que pariu, hein. quando é que as pessoas vão parar de usar esse argumento frouxo e machista para justificar as atitudes femininas??
"ih, cleidineuza, tá irritada hoje, o quê que há? marido não tá dando no couro?" "nossa, que mulher mais GROSSA. deve ser uma mal comida!" "fica chateada não, gata - vem cá, eu te dou um trato e você vai ficar logo felizinha"
vindo de homens, esse papo já é execrável; mas saindo da boca de uma mulher é praticamente inaceitável.
outro comentário estúpido, desta vez partindo das redatoras-cabelinho-indie da própria revista: e daí que a tal mulher se recusa a fazer psicanálise? o fato de ela conseguir resolver os próprios problemas sem pedir penico para um estranho a transforma automaticamente numa má pessoa? então o raciocínio oposto transforma todo mundo que faz terapia em bundão?? minha filosofia é a seguinte: todos nós temos os nossos problemas e neuroses de estimação; o que nos diferencia é a importância que damos a eles.
seguinte: eu não sou doce, nem "sensível" e nunca me senti menos mulher por isso. só procuro não me cercar de pessoas que esperam de mim um comportamento padrão de fêmea para que não me rotulem como machista, reacionária ou simplesmente louca de pedra.
ainda bem que eu não moro nos estados unidos. além de não estar certa se eu me adequaria ao "american way of life", eu seria obrigada a declarar falência em dois meses devido aos surtos consumistas que me acometeriam periodicamente -ou seja, sempre que adentrasse os domínios da target.
eu geralmente não sou fã de artigos de cozinha (já que meu "cromossomo amélia" veio faltando ou bastante deformado), mas bastou pintar em tons vivos que eu estou comprando até tijolo - imagine as fofuras aí embaixo?
observe os últimos três potes: "cafeína", "carboidratos" e "doces" ao invés dos batidos café+biscoito+acúcar. muito criativo, adorei.
da linha "collectible brownie", isso aí é um bule de chá/café:
heart-shaped tea cup set:
você algum dia imaginou que um RALO pudesse ser tão bonitinho??
nem precisa ser fã da "gata do demo" para babar nessa cafeteira:
e essa fôrma de bolo da williams sonoma, então? transformaria fácil meus bolos queimados/solados em obras de arte:
MAAAS como eu não moro na américa do norte e como eles não enviam seus bagulhos para lugar algum do planeta (o mercado interno consome tudo e eles cagam e andam para o resto do mundo, thanks) e quando enviam cobram o triplo do preço do produto só em shipping...
fico chupando os meus dedinhos de pianista, lindos e delicados. e salvando o pescoço da minha conta no HSBC.
saiu a lista dos "10 penteados mais influentes da história do cinema", organizada pela lovefilm.com. porque obviamente neguinho não tem o que fazer. e, como eu também não tenho, olha ela aí:
campeoníssima: carrie fisher como princesa leia de star wars, ostentando o seu famoso penteado: dois hambúrgueres, um de cada lado das orelhas. realmente, um ícone.
em segundo, minha favorita da lista: marge simpson e seu beehive (que amy winehouse tentou copiar, em vão... tenta pintar de azul também, ô manguaceira).
em terceiro, audrey hepburn e seu coquinho charmoso breakfast at tiffany's. e essa foto aí embaixo deve estar disputando pau a pau com aquela do che o título de mais chupada de todos os tempos.
em quarto o preferido da galera rockabilly: john travolta em grease (antes de ele engordar 300 quilos e desenvolver uma obsessão pouco saudável por aviões).
quinto lugar: uma thurman em pulp fiction. não gosto da uma, não gosto de pulp fiction e não gosto de nenhum cabelo que ela tenha usado, em filme algum. prontofalei. e isso daí parece uma peruca-indie-emo-curumim-fromUK. terrible.
na sexta posição, o rebelde sem pente: james dean (e toda vez que eu penso no acidente que o fez cruzar o cabo da boa esperança mais cedo, eu lamento tanto... pelo carro).
sétima: elvis presley, antes da fase "baleia branca drogada de las vegas":
em oitavo lugar, rita hayworth (que eu nunca achei realmente bonita) em gilda. e devo dizer que qualquer mulher que saia às ruas com esse cabelo corre o risco de ser confundida com um cocker spaniel.
em nono, elizabeth taylor (maravilhosa) e suas tranças de rainha do nilo em cleópatra (apesar de todos nós agora sabermos que a verdadeira cleópatra era um bagulhão... o que a torna ainda mais fascinante - só mesmo muita inteligência e borogodó para pegar a realeza inteira não tendo nem 1% da beleza da liz):
fechando a tampa, a nulidade da ex-namorada do JUDE LAW, sienna miller, em "factory girl". tsc. edie sedgwick não merecia isso. e eu poderia sugerir pelo menos meia dúzia de hollywood hairdos pra ocupar o lugar dessa ameba e desse cabelinho "emo 60s", mas enfim.
uma vez há muitos anos atrás, quando eu ainda brincava de escrever cartas, tive um correspondente estranho.
ele morava num subúrbio do rio e escrevia cartas tão longas quanto desconexas, geralmente à lápis, e a caligrafia era tão ruim e o lápis tão fraco sobre o papel que eu levava meia hora para decifrar cada parágrafo. ele falava sobre syd barret, substâncias alucinógenas, festinhas juninas de rua, política internacional, como tocar instrumentos imaginários e fazer sexo com meninas por dinheiro.
certa vez me mandou uma foto. um quarto humilde, paredes sujas e rabiscadas cobertas por posters vagabundos dos beatles e xerox de matérias de revistas com o syd barret. de pé no meio do quarto, um rapazinho de uns 15, 16 anos, pálido, esguio, cabelos castanhos longos e uma beleza absurda, não tradicional. menos tradicional ainda era o que ele estava vestindo: a camisola da mãe, daquelas de tergal branco barato com bordados cafonas que a gente encontra aos montes nos camelôs.
um dia as cartas pararam de chegar daquele endereço. escrevi perguntando se ele estava bem e fiquei sem resposta. um amigo em comum que tínhamos me confidenciou que ele havia tido uma crise e se retirado das correspondências (a natureza da crise eu desconheço, segredo guardado entre amigos talvez e eu não insisti pela verdade).
anos depois, eu de visita ao brasil, numa festinha rock regada a música perfeita, vinho chapinha e cerveja de um real (daquelas que habitam memórias etílicas de adolescentes crescidos), na companhia do tal "amigo em comum" quando ele me aponta um rapaz no meio da multidão: "olha lá o P..., você chegou a se corresponder com ele, não é?"
meus olhos encontraram um homem barbado, acima do peso, jeans+camiseta+casaco+adidas+tênis, mãos dadas com uma dessas garotinhas BEM inhas. os lindos cabelos castanho claros haviam sido devidamente tosados na forma de um corte padrão de macho indie.
"ele mudou muito depois que...", disse o amigo. "...", completei eu.
às vezes é melhor deixar algumas pessoas no passado, onde elas de fato pertencem.
i'm heavy handed, to say the least. my mother thinks i'll be an awful clutcher 'cus i spill things from stiring them too quickly. i'm far too loud. its like, as soon as i've got an opinion, it just has to come out. i laugh at stupid things just cus they tickle me.
and sometimes, sometimes, i wish i was like mariella, she got some pritt stick and glued her lips together. so she never had to speak, never had to speak, never had to speak. people used to say shes as quiet as a mouse, she just doesn't make a peep.
she marched to her wardrobe and threw away the colour, because wearing black looks mysterious, but it didn't impress her mother. she wanted to dress her baby in patterns and flowers, but mariella just crossed her arms and so she cried for hours. mariella. mariella. my pretty, baby girl unglue your lips from being together and wear some pink and pearls. you can have your friends 'round and they can stay for tea. won't you just try to fit in please, do this for me. but mariella just crossed her arms and walked up the stairs and she went into her bedroom, and she sat on her bed. and she looked in the mirror and she thought to herself "if i wanna play, i can play with me, if i wanna think, i'll think in my head."
at school, mariella didn't have many friends, yeah, the girls there, they looked at her and thought she was quite strange. boys aren't really into girls at that age. and the teachers, they thought mariella was just going through a phase. but mariella just smiled as she skipped down the road because she knew all the secrets in her world. yeah, she always got the crossword puzzle right every day and she could do the alphabet backwards, without making any mistakes. mariella. mariella. pretty, pretty girl. mariella. mariella. happy in her own little world happy in her own little world and she says "i'm never ever ever ever ever ever ever ever ever ever, yeah, i'm never ever ever ever ever ever ever, yeah, i'm never ever ever ever ever ever ever gonna unglue my lips from being together."
hugh grant se esbaldando com estudantes numa festinha da universidade de st. andrews, lá na escócia:
achei digníssimo e justo. afinal, não é só de jogar lata de feijão na cabeça de paparazzi que vive um homem. infelizmente, a loirinha gostosa que ele estava pegando na foto tinha um facebook e, antes mesmo de curar a ressaca, postou tudo na internet.
imprensa cuzuda britânica já condena o infeliz, dizendo que ele estava se aproveitando de inocentes estudantes que tinham a metade da idade dele. sorry mate, mas hughinho é solteiro, livre e desimpedido - e as estudantes tinham mais de 16 anos (que é a idade que uma vagina se torna "legal" no reino unido, e pode ser consumida livremente sem que o consumidor corra o risco de entrar em cana por ter feito um test-drive).
e depois, me parece que as garotas não estavam nem um pouco infelizes:
sinceramente? depois de ter passado anos treinando pra são jorge ao ter que lidar com o dragão que é a jemima khan, ele merece se divertir com carne de primeira.
observem a cara de "putz, onde é que eu fui enfiar o meu p... ops, meu BODE!" do pobre hugh. nem digo mais nada.
lady sarah moon, no começos dos anos 90, ao descobrir que seu marido estava molhando o biscoito na tigelinha de mingau alheia, decidiu vingar-se.
ela cortou uma manga de cada um dos trinta e dois ternos do camarada, feitos sob medida em saville road, derramou cinco litros de tinta branca em cima da BMW do ex-amado e, para finalizar com um toque de classe, esvaziou a preciosa adega de vinhos vintage que ele mantinha em casa - deixando uma garrafa caríssima de claret na porta de cada um dos vizinhos num raio de cinco quilômetros, com os cumprimentos do marido.
*pausa para içar o maxilar de volta à posição correta*
apesar de ser contra vinganças desse tipo, devo admitir que essa sequência foi muito melhor e mais digna do que se engalfinhar com a amante do "pau-doce" em praça pública, como eu tanto já vi acontecer na vida - tanto lá na selva de onde vim quanto aqui, na suposta civilização.
ninguém está livre de se interessar por outra pessoa. não mesmo. mas então que tenham a decência de usar a porta da frente para retirar-se da vida da metade rejeitada da parceria.
gatinhas, o conselho continua sendo: evitem se envolver com calhordas. caso se envolvam e se estrepem, engulam em seco e partam para outra mais sábias - c'est la vie.
mas se for pra exibir ressentimento, CLASSE e CRIATIVIDADE, pelo menos. (e querendo deixar uma garrafa de merlot vintage na minha porta, é só pedir o endereço)
esqueci de fotografar a tacinha de prosecco. e a boneca adorável é minha. :) mais tarde almocei uma galinha frita com arroz ao leite de coco do grande caralho. sushi é ração de donzela - prefiro cozinha asiática de macho.
em seguida fomos a uma exposição de dolls antigas no domingo, onde mais uma dessas velhas chatas e mal educadas mandou (sim, porque essas pelancudas não sabem PEDIR) que eu guardasse a minha câmera. não é a primeira vez que isso me acontece aqui no país do chucrute: encontrar expositores mal educados e imbecis.
seguinte, vó - qual o problema em se tirar fotos? não estou usando flash, então não vou estragar suas preciosas bonecas. não é para copiar os vestidos - e ainda que fosse, a senhora tem um SITE na internet expondo os seus produtos; eu poderia copiar os vestidos de lá.
já pensou se eu fosse webmaster de um portal sobre "antique dolls" e estivesse cobrindo essa exposição? já pensou se eu estivesse justamente fazendo fotos dos seus produtos para expor no portal, com links para o seu site? a senhora teria acabado de perder uma penca de clientes em potencial por causa dessa sua visãozinha egoísta, preconceituosa e BURRA.
saí dali e paguei 50 euros numa peruca de cabelo natural para a Moyra. aposto que a velha idiota se tocou de que eu tinha dinheiro no bolso e se arrependeu. foda-se. como diria o duran duran, TOO LATE, MARLENE.
conselho: se não quer dar visibilidade ao seu produto, deixe-o trancado em baús no sótão. ou enfie-os todos no CU.
P.S.: quando eu estava procurando vestidinhos para as dolls, um alemão alto, forte e careca veio me explicar que os vestidos dele não cabiam na Moyra (eram curtos ou largos demais). mas me deu um flyer do site e disse que, se eu enviasse as medidas da boneca, ele faria um vestido customizado para ela. e mais tarde, quando eu havia encontrado lá um vestidinho que coube, ele viu e veio todo sorrisos me dizer que o vestido era uma graça e que ela tinha ficado linda.
porra. homens são TÃO MAIS LEGAIS que mulheres. mulher é cheia de frescura, recalque, sensibilidade, competitividade fútil, "não-me-toques", etc. por isso minha amizade com elas raramente vinga - eu sou muito machinha.
acho que eu queria ter nascido homem, ter somente amigos homens (com raras exceções) e usar mulheres só para sexo. porque é só para isso que 80% delas servem (e desses 80%, pelo menos 60% só ficam no papai-mamãe - ou seja, são absolutamente inúteis).
1. eu acho a palavra "oportunidade" breguíssima. pessoas que dizem estar "procurando uma oportunidade" não merecem encontrá-la.
2. recomecei atkins. yep, de nuevo. ingeridos até o presente momento: dois copos pequenos de diet coke, uma fatia de queijo amarelo, uma xícara de café. meu humor vai piorar nos próximos dias - segura o capacete, arnaldo!
um queridíssimo amigo meu dizia que "não há nada mais sexy do que uma italiana peituda batendo um pratão de espaguete." é o seguinte: eu não sou italiana. não fico bem peituda. consequentemente, tenho que abandonar o espaguete (e o pão, a batata, o açúcar, o leite, os frutas e boa parte dos legumes).
atkins não é de deus. but then again, começar a não caber nas calças que você comprou DEPOIS que ganhou uns quilos, também não é.
3.kate nash é legal. "nicest thing" é uma fofura. mas aquele sotaque de participante de big brother UK me tira o tesão de baixar o álbum.
4. nessas comunidades "clube do bolinha" do orkut, mulheres são sempre vistas como teletubbies ou enfeites, independentemente de QI.
5. os títulos que os usuários do MP3tube dão às músicas me esvazia o peito da pouca fé que tenho na juventude.
6. eu tenho medo da renee zellweger.
parece que a cabeça dela nasceu 30 anos antes do resto do corpo.
apesar de adorar animais, não sou tiete da PETA. não gosto de instituições que tentem fazer lavagem cerebral nas pessoas impondo suas visões de mundo (por mais certas que estejam). essa gracinha aí em cima parece mais tentativa de pegar carona na derrocada vertiginosa da britneida do que preocupação genuína.
ora, PETA, vá se preocupar com cachorros e gatos de rua, elefantes de circo, galinhas sendo criadas em condições desumanas, foquinhas sendo mortas a pauladas para virar uniforme de perua. os cachorros da britney estão, pelo menos, sendo alimentados e cuidados pelas dúzias de empregados que a careca maluca tem em casa.
e, por falar em cachorro abandonado, me pergunto se a PETA tomou conhecimento disso aqui: um, dois e três. (são fotos, tristes porém nada bizarro/sanguinolento, pode abrir sem medo). eu ia postar as fotos e a história aqui, mas o nó que sinto na garganta sempre que olho para essas imagens me impede - eu me sentiria mal em abrir meu próprio site.
mas por favor, vá até lá, leia o relato e veja as fotos. para finalizar, assista a esse vídeo e deixe a nobreza dos animais te ensinar uma lição de respeito ao próximo e inspirar o seu fim de semana.
p.s.: e antes que me acusem de hipocrisia, declaro que 1) não acho errado alimentar-se de animais; eles também fazem isso e 2) pelo menos 90% dos produtos de origem animal consumidos na minha casa são orgânicos.
invejo as pessoas realmente nômades, que conseguem enfiar suas vidas em pequenas caixas e carregá-las por aí, e realmente se sentir privilegiadas por não terem endereço fixo, por poder passar a vida trocando vivências e experimentando culturas diferentes.
pra mim não funciona. eu demoro a criar raízes mas, uma vez nascidas, elas são tão difíceis de arrancar como a dos baobás.
i don't want alarms or surprises. eu só quero voltar a ver, através da janela do banheiro, as vacas pastando no campo em frente à minha casa.
não é pedir demais. (p.s.: play.com e lovefilm de volta também não me fariam mal algum)
eu apontava para uma cadeira. "ISSO NÃO É UMA CADEIRA", eu dizia.
ele apontava para a mesa. "ISSO NÃO É UMA MESA." "ISSO NÃO É UMA PAREDE", eu respondia. "ISSO NÃO É UM TETO."
e ficávamos nessa. "NÃO ESTÁ CHOVENDO." "MEU SAPATO NÃO ESTÁ DESAMARRADO!", ele gritava.
eu apontava para o meu cotovelo: "ISTO NÃO É UM ARRANHÃO." ele levantava o joelho: "ISSO TAMBÉM NÃO É UM ARRANHÃO!" "ISSO NÃO É UMA CHALEIRA!" "NÃO É UM COPO!" "NÃO É UMA COLHER!" "NÃO SÃO PRATOS SUJOS!"
nós negávamos cômodos inteiros, anos, climas.
certa vez, no ápice da nossa gritaria, ele tomou fôlego e exclamou o mais alto que pôde: "EU! NÃO FUI! INFELIZ! MINHA VIDA! INTEIRA!"
"mas você só tem sete anos", eu respondi.
(tradução livre de um trecho de livro, copiado de uma comunidade do livejournal onde postamos apenas finais: de músicas, de livros, de filmes, de capítulos, de poemas... sem a fonte, porque é mais divertido procurar por ela)
odeio: blogs com pop ups (aquelas da ilead, que os browsers não bloqueiam) ou com excesso de widgets cafonas que só servem para pesar a página e poluir o layout.
então eu não fui sorteada para o show do led zeppelin. mais de 20 milhões de pessoas se cadastraram, mas apenas 10 mil nascidos-com-o-rabo-para-a-lua serão convocados para comprar ingressos.
já imagino o ebay cheio de tickets sendo vendidos a 1836252763738 libras. assim é a vida, a época da inocência acabou, etc.
oh well. ficarei na torcida por uma world tour. aliás, se eles se derem conta da fortuna que poderão fazer com uma mini turnêzinha mixuruca só pela inglaterra, isso é quase certeza.
50 anos do sputnik. outro logo comemorativo adorável do google. eu tenho uma certa compulsão nerd por colecionar os logos comemorativos do google. mas tem que copiar da homepage, no mesmo dia - ir procurar nos arquivos não vale.
e sempre existem os estressadinhos caga-regras, não é mesmo, minha gente? vergalhão gerdau incandescente nos respectivos rabos.
curiosas as fases pelas quais passamos no nosso relacionamento com os pais. na infância eles sabem de tudo. na adolescência, já não sabem de nada. quando crescemos, percebemos que, de fato, eles não sabiam de nada; nem eles, nem nós, nem ninguém.
então que todos os miguxos do mundo resolveram me seguir no twitter. vejam, crianças - gênio não sou, mas o meu limite é o miguxês. nesse ponto eu risco uma linha imaginária no chão e dela miguxo não passa. sorry se vos ofendo, mas eu quero, pelo menos, dar risadas com os feeds que assino naquela bodega. e miguxês não me provoca risadas. provoca acessos de vômito. sem intelectualismos; pura reação biológica.
aliás, vamos parar com esse papo de "followar" e "followando". é muito, muito feio. que tal "seguir", "adicionar", "assinar", ou até mesmo apelar para o termo em inglês?
FERIADO. comemoração da unificação das alemanhas e tal. se bem que ninguém está celebrando poríssima. apenas desculpa para as lojas não abrirem e os alemães ficarem entocados em suas respectivas casas comendo linguiça com batata. que povo mais bunda.
to-do list: andar até a estação, comprar o Daily Mail e tentar evitar a sorveteria. mudar de calçada ou de rua, se preciso for. e ignorar as calorias da meia pint de Bishop's Fingers que está, nesse preciso momento, descendo pela minha goela.
eu queria ser inteligente só para poder às vezes brincar de ser estúpida. as it is, me sinto estúpida por falta de opção.
A internet é um playground de losers. É aqui que eles se reúnem pra brincar depois do expediente normal num mundo que lhes fecha portas. Nem sempre (ou não somente) as portas institucionais, mas também as emocionais, que são as que mais causam dor quando a gente bate com o narizinho nelas.
Saia de frente do PC um instante. Sente-se num barzinho, numa periferia afastada ou à beira mar. Olhe a quantidade de pessoas que transitam. Observe as vidas, as várias vivências se intercruzando a cada segundo. Imagine histórias por trás desses rostos. Tá, puta clichê, mas observe, porra. Não é para pensar na relatividade das coisas, no sentido da vida, nada tão profundo. É só para que a gente se conscientize de que há vida fora da internet, e mais impressionante ainda – há pessoas que vivem sem ela! Há pessoas que VIVEM.
Taí o que o loser não admite. Que existam pessoas que não dependem de escoras emocionais para serem felizes. Que andam sem muletas. Que são elas próprias, sem a necessidade de se esconder por detrás de tela de um monitor, ou usá-lo para ser o que não se conseguiu ser. E não falo somente das grandes mentiras, do velho que mente ter 16 anos num chat para conquistar a atenção uma gatinha inocente, da menina que manda fotos falsas por ICQ, dos que inventam roteiros para suas vidas a fim de torná-las interessantes. Falo também das mentiras que contamos sem perceber. Aquelas que parecem pequenas mas com o tempo se revelam maiores – coisa de que só iremos nos dar conta muito mais tarde. Falo das pequenas mentiras que usamos para nos enganar, e que só nos sabotam.
Aí o loser corre para a internet, o último lugar que os aceita depois que foram escorraçados por todas as dimensões existentes. É a última tentativa de sociabilização, e é onde ele finalmente encontra sua turminha. Porque é na internet que os perdedores batem ponto, e lá se encontram, e lá engendram planinhos de se vingar do resto da humanidade que pode usar biquíni minúsculo, que não tem medo de dar gargalhadas e que ainda acredita na vida tete-a-tete, ou seja, naquela onde você vê, toca e se relaciona com as pessoas e coisas que te interessam.
Na internet é onde fervilham os recalques represados, e é onde eles se metamorfoseiam na tão famosa e “postura cool”. Okay, foda-se o mundo que me renega. Vamos cuspir nos “inferiores” (quem é que colocou os LOSERS lá em cima na hierarquia, senão eles mesmos e suas visões deturpadas do que é cool e do que é sucks?). Vamos ser fodas em alguma coisa virtual pra compensar o fato de que nossa vida REAL se resume a esvaziar potes de batatinhas Pringle’s em frente a TV vendo Seinfeld. Melhor: vamos mostrar aos incautos que estão na web e que AINDA não são losers, que o bacana não é beijar na boca e suar numa danceteria, e sim comer coisas calóricas e caras e comprar CDs de bandas tão desconhecidas quanto ruins na Amazon enquanto vegetamos na frente de uma tela de 15 polegadas e 1024 pixels de resolução.
Coitados, aliás, dos incautos freqüentadores da web que caírem nas garras dos losers virtuais. Eles vão apontar seus dedos compridos e calejados do mouse na direção dos infelizes, agarrá-los com suas mãos castigadas pela tendinite-teclante e arrancar deles sua energia vital à força, feito zumbis. E, depois de alguma lavagem cerebral, transformá-los em losers perfeitos, réplicas dos dominadores, uma produção artesanal de idiotas. E se o incauto se rebelar é destruído. Porque aqui, dizem os losers, é o nosso parquinho de diversões particular. Os winners já têm o mundo real onde fazem as regras. Aqui na web, dizem os losers, as regras são NOSSAS.
Losers of the world, unite and take over. E nessa história toda, eu já não sei quem está certo. Nem se existe certo.
acabo de tentar beber absinto. trouxe uma garrafa lá de pielavesi, finlândia. porque a garrafa era linda, porque o rótulo tinha cara de vintage e porque o líquido era quase fluorescente. veredito: DETESTEI. parece chá de erva cidreira misturado com álcool. cuspi na pia e abri uma lata de london pride.
ontem na feirinha: purê de batata frito com purê de maçã. soa nojento, mas só parei de comer porque tive que começar a beber.
"you can never replace anyone because everyone is made up of such beautiful specific details."
(a única coisa realmente triste nesse filme é o fato de a Julie Delpy ter emagrecido tanto em dez anos. diretores pró-anorexia de hollywood, unite and go to hell.)
acho que estou sendo assediada sexualmente pela máquina de secar roupas. sempre que passo por ela, a infeliz apita. pff. se ainda fosse a máquina de lavar (no ciclo de secagem) eu pensaria no caso.
1.- Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure); 2.- Abra-o na página 161; 3.- Procurar a 5ª frase, completa; 4.- Postar essa frase em seu blog; 5.- Não escolher a melhor frase nem o melhor livro; 6.- Repassar para outros 5 blogs.
well, primeiro livro mais próximo não deu. tinha só 46 páginas. segundo também não deu. motivo: eu arranquei a página 161. não pergunte. terceiro. ok. finalmente. pensei que ia ter que apelar para o pequeno príncipe.
"on the night of this quarrel there was a black frost, and young Robinson drew out all the fires and opened all the windows in the Ballykilcaven glass-houses and bolted to Dublin"
livro: the gardener's album, edited by miles hadfield, published by hulton press, 1954.
Todas as fotos são creditadas a mim, exceto quando outra fonte for citada. Fique à vontade para repostar qualquer imagem ou texto, desde que os créditos a mim ou ao
artista/fotógrafo sejam mantidos.
i do my best to credit the pictures, quotes and artwork posted on these pages, but it's not always possible. please contact me with the source of any uncredited picture
found here and credit will be duly given.
all the pictures credited to me can be used without my prior written permission, but i would really appreciate if you let me know they're being used somewhere.